Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Polícia italiana faz buscas contra suspeitos de violência em atos

A polícia da Itália realizou buscas nas casas de 100 suspeitos, a maioria menores, após violentos tumultos contra o custo de vida em Milão que geraram...

Sexta, 23 de Outubro de 2026 às 15:01, por: CdB

A polícia da Itália realizou buscas nas casas de 100 suspeitos, a maioria menores, após violentos tumultos contra o custo de vida em Milão que geraram prejuízos bilionários e deixaram 14 agentes feridos.

Por Redação, com ANSA – de Roma

A polícia da Itália realizou nesta sexta-feira buscas nas casas de cerca de 100 pessoas suspeitas de participar dos violentos tumultos do último fim de semana em Milão, incluindo 51 menores de idade, enquanto o país se prepara para uma nova onda de protestos contra o custo de vida neste sábado.

Milão foi palco de manifestações violentas no último fim de semana

A operação da divisão de operações especiais da Polícia de Estado (Digos) ocorreu em 18 cidades: Arezzo, Bari, Bérgamo, Bolonha, Bolzano, Como, Florença, Gênova, Lodi, Nápoles, Pescara, Pádua, Cremona, Verbania, Aosta, Monza, Varese e Verona.

Grupos de jovens que cercaram lojas e supermercados, quebraram vitrines e promoveram saques causaram prejuízos estimados em 1 bilhão de euros (R$ 5,65 bilhões) no fim de semana, segundo a associação varejista Confcommercio.

Os manifestantes também confrontaram a polícia, arremessando pedras, garrafas e sinalizadores, e deixaram 14 agentes feridos. Mais de 270 pessoas foram levadas para delegacias, das quais 80% eram menores de idade. O mais jovem identificado pelas forças de segurança tem 11 anos.

Manifestações

Os distúrbios ocorreram durante manifestações juvenis contra o aumento do custo de vida na Itália e para cobrar mais investimentos em educação, na esteira de atos semelhantes realizados na França.

“Começamos a levantar ? ou melhor, a rasgar ? os véus sobre esse fenômeno”, afirmou o ministro do Interior, Matteo Piantedosi. Segundo ele, há indícios de que havia uma rede organizada por trás dos episódios de violência. “Certamente houve coordenação entre os envolvidos nesses atos de vandalismo”, disse.

A operação marca a postura linha dura do governo de Giorgia Meloni para evitar novos tumultos. A premiê já determinou o envio de 500 militares do Exército para apoiar as forças de segurança de Milão, palco dos confrontos mais violentos, e aprovou um decreto de segurança que autoriza a prisão preventiva de adolescentes tidos como ameaças à ordem pública antes mesmo de manifestações.

Além disso, a medida tipifica o crime de participação violenta em protestos, com penas de até cinco anos de prisão. Já o ministro da Justiça, Carlo Nordio, afirmou que o governo pretende ampliar os centros de detenção juvenil, enquanto o vice-premiê e ministro dos Transportes, Matteo Salvini, defendeu o corte de benefícios sociais para pais de “vândalos”.

Chat racista

As investigações sobre os tumultos de 17 e 18 de outubro também levaram a polícia a descobrir um chat online de extrema direita que convocava ataques contra estrangeiros e integrantes de gangues de rua conhecidas como “maranzas”.

O grupo foi criado para reunir pessoas no centro da cidade de Crema, na Lombardia, para realizar “patrulhas” com o objetivo de “identificar e atacar” esses alvos.

O chat tinha uma imagem do ditador fascista Benito Mussolini e era administrado por um italiano de 20 anos com antecedentes por furto e ameaças. A conversa continha inúmeras mensagens que incitavam à violência, incluindo conteúdo racista e xenófobo.

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