Rio de Janeiro, 19 de Outubro de 2026

Marcas de luxo suspendem atividades por temor de violência em Milão

De acordo com balanço divulgado pela polícia nesta segunda-feira, 271 pessoas foram acompanhadas a delegacias, incluindo 220 menores de idade, e 32 acabaram...

Segunda, 19 de Outubro de 2026 às 13:19, por: CdB

De acordo com balanço divulgado pela polícia nesta segunda-feira, 271 pessoas foram acompanhadas a delegacias, incluindo 220 menores de idade, e 32 acabaram presas.

Por Redação, com ANSA – de Milão

Lojas do Quadrilátero da Moda de Milão, zona da cidade que reúne as principais grifes do mundo, amanheceram de portas fechadas nesta segunda-feira, por temor de novas desordens em manifestações contra o aumento do custo de vida.


Loja da Chanel fechada no Quadrilátero da Moda de Milão

Marcas como Chanel, Hermès, Cartier, Gucci e Pomellato, na rua Montenapoleone, um dos metros quadrados mais caros do planeta, preferiram não abrir as portas para evitar eventuais saques e atos de vandalismo, enquanto um furgão da polícia permanece de plantão na rua Manzoni.

Nas lojas ainda abertas, o clima é de apreensão. Um lojista disse à agência italiana de notícias ANSA que mantém contato com colegas via WhatsApp para trocar informações e decidir o que fazer. Vendedoras de uma unidade da marca de roupa íntima Intimissimi afirmaram que estão preparadas para trancar as portas caso seja necessário.

– Todas as lojas da Via Montenapoleone estão fechando. Apenas algumas estão abertas, mas estamos prontas para fechar se sentirmos qualquer insegurança – contou uma delas.

Confrontos

No último fim de semana, Milão foi palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, sobretudo na Piazza Duomo, diante da catedral da cidade.

De acordo com balanço divulgado pela polícia nesta segunda-feira, 271 pessoas foram acompanhadas a delegacias, incluindo 220 menores de idade, e 32 acabaram presas. O grupo de detidos tem 23 adolescentes e pelo menos 13 estrangeiros — na Itália, filhos de migrantes nascidos no país só podem obter a cidadania após completar a maioridade. 14 agentes ficaram feridos nos conflitos, que também registraram saques a lojas no centro de Milão.

As manifestações ocorreram na esteira do levante estudantil na França e pedem mais investimentos em educação, menos recursos para compra de armamentos e ações para combater a disparada do custo de vida.

Um dos organizadores dos protestos na Itália, o Movimento 17 de outubro, prometeu manter “mobilização permanente todos os sábados, até a queda do governo”. “Os violentos são aqueles que nos negaram o futuro, mas agora vamos tomar esse futuro nas mãos”, disse o grupo em sua página no Instagram.

A conta também divulgou um vídeo onde jovens que saquearam lojas distribuem produtos roubados a moradores de rua, com a legenda “Expropriação proletária em Milão”.

Enquanto isso, a premiê Giorgia Meloni presidiu nesta segunda uma reunião sobre segurança pública com ministros da área e comandantes das forças de ordem e dos serviços de inteligência.

Em publicações nas redes sociais no fim de semana, ela condenou a “violência de delinquentes” voltados a “semear o caos”, porém garantiu ter “grande respeito pelas milhares de pessoas que se manifestaram pacificamente”. 

Edições digital e impressa