Rio de Janeiro, 05 de Novembro de 2026

Memorial em homenagem a vítimas da violência reabre na Maré

Parte dessas vítimas é lembrada em uma instalação artística, concebida pela artista Laura Taves e feita com azulejos azuis e brancos: o Memorial das Vítimas...

Quinta, 05 de Novembro de 2026 às 11:57, por: CdB

Parte dessas vítimas é lembrada em uma instalação artística, concebida pela artista Laura Taves e feita com azulejos azuis e brancos: o Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré. 

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

Na última década, dezenas de moradores do Complexo da Maré, conjunto de favelas da Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, perderam a vida em confrontos armados. Apenas as operações policiais deixaram 160 mortos, entre 2016 e 2025, segundo levantamento feito pela organização não governamental Redes da Maré.

Instalação homenageia mais de 140 mortos de forma violenta

Parte dessas vítimas é lembrada em uma instalação artística, concebida pela artista Laura Taves e feita com azulejos azuis e brancos: o Memorial das Vítimas da Violência Armada na Maré. A instalação foi inaugurada em 2022, com cerâmicas contendo os nomes de 127 vítimas da violência, e agora passou por uma revitalização, com a revitalização dos azulejos e dos jardins, além da colocação de bancos e de um velário. Além disso, foram incluídos mais 18 azulejos homenageando outras pessoas que perderam suas vidas. A reinauguração ocorreu nesta quinta-feira.

O local onde o memorial, também chamado de Praça da Paz, está instalado é emblemático. Trata-se de uma área limítrofe entre duas comunidades sob influência de facções criminosas rivais, a favela Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro.

– É uma área que está bastante marcada ali pela luta dos moradores, por sua resistência, mas também pela violência – explica a pesquisadora Tainá Alvarenga, da Redes da Maré. “Quem também pinta os azulejos são familiares de vítimas.

Então, é um memorial que trabalha tanto essa ideia de intervenção urbana, mas também de mobilização comunitária. Todas essas ações feitas na construção dele é a partir da mobilização das famílias para pensar memória, direito ao luto”.

Seminário

O Complexo da Maré também realiza, entre esta quinta e o próximo sábado, um seminário sobre como construir caminhos de memória, justiça e reparação para vítimas da violência armada e seus familiares.

– A gente quer muito, com o seminário, marcar essa ideia da memória e do direito ao luto das famílias de pessoas que foram vítimas dos confrontos armados entre os grupos [criminosos rivais], mas também das operações policiais. A gente marca isso no território e dá a possibilidade de as famílias trazerem a memória e também a reivindicação por melhorias dentro do âmbito da segurança pública – afirma Tainá.

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