Segundo a polícia, agentes encontraram dispositivos escondidos que aumentavam em 20% o valor das corridas quando acionados.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Policiais civis realizaram, nesta quinta-feira, uma operação contra um esquema de fraude em taxímetros no Aeroporto do Galeão, na Ilha do Governador. Segundo a investigação, os motoristas usavam um dispositivo eletrônico escondido atrás de um botão do porta-malas para aumentar o valor das corridas. Cerca de 200 táxis estão envolvidos na fraude.

A ação é conduzida por agentes da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), da Delegacia de Atendimento Policial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Dairj) e da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat). As equipes cumprem mandados de busca e apreensão em imóveis no Rocha e em Piedade, na Zona Norte, no Centro do Rio e no terminal do Galeão. A operação também conta com o apoio da Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant).
Até o momento, diversas pessoas foram levadas para prestar depoimento. Segundo a polícia, entre os alvos da operação estão a sede e o pátio de veículos de uma empresa de locação de táxis, uma empresa ligada ao grupo e a oficina apontada como responsável pela instalação dos dispositivos.
A fraude
O esquema começou a ser investigado após a denúncia de um passageiro que desembarcou no Galeão e foi abordado por um homem que se apresentou como integrante do serviço de táxi. Durante a corrida, o passageiro percebeu que o valor indicado no taxímetro aumentava de forma repentina. Ao chegar ao destino, ele havia pago cerca de 50% a mais do que o valor esperado para o trajeto.
O carro utilizado na corrida acabou localizado e passou por perícia. Técnicos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) encontraram uma pequena placa eletrônica ligada ao taxímetro. O equipamento, segundo os peritos, multiplicava os pulsos enviados pelo sensor do veículo, fazendo com que o preço da corrida subisse.
O dispositivo ficava escondido atrás de um botão do porta-malas e podia ser acionado pelo motorista sem que o passageiro percebesse. Segundo a investigação, cada acionamento podia acrescentar 20% ao valor da viagem.
Investigação
Com o avanço da apuração, os policiais identificaram indícios de que a fraude não era praticada individualmente pelos motoristas. Documentos apreendidos apontaram que a instalação do equipamento seria determinada pela empresa responsável pela locação dos veículos e feita em uma oficina indicada pelo grupo.
Os agentes também apuram se alguns veículos já eram entregues aos motoristas com o mecanismo instalado e configurado para funcionar automaticamente, o que permitiria a cobrança irregular sem a necessidade de acionamento manual.
Nesta quarta, os policiais fazem diligências em diversos veículos e conduziram envolvidos no esquema para prestar depoimento.
‘Jóqueis’
Além da adulteração dos taxímetros, a polícia identificou a atuação de pessoas conhecidas como “jóqueis”. De acordo com a Polícia Civil, elas seriam responsáveis por abordar passageiros no Galeão, principalmente turistas e pessoas que não conheciam o Rio, e encaminha-las para veículos que não tinham autorização para operar dentro do aeroporto. Em troca, os captadores receberiam comissões pelas corridas.
Durante a investigação, os policiais encontraram registros de cobranças consideradas abusivas, incluindo viagens que ultrapassaram R$ 900 para Zona Sul. Ainda segundo a polícia, a atuação dos “jóqueis” seria coordenada por um traficante que atua na comunidade do Barbante, na Ilha, próxima ao aeroporto.
A investigação aponta ainda que o grupo teria tentado ampliar o controle sobre o serviço de táxi no terminal, pressionando motoristas autorizados a trabalhar em conjunto com os captadores. Até o momento, porém, os agentes afirmam que essa tentativa não teria se concretizado.