Ação batizada de Em Nome do Pai apura suspeita de favorecimento a empresas; agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Icaraí.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
A Polícia Federal fez uma operação, na manhã desta quinta-feira, que apura o possível favorecimento a empresas do ramo imobiliário e de construção civil por venda de sentenças envolvendo o desembargador Alexandre Scisinio. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em Niterói, na Região Metropolitana.

Na ação, os policiais estiveram em seis endereços em Icaraí, na Zona Sul niteroiense, onde apreenderam documentos, celulares e dinheiro — ao menos R$ 27 mil estavam na casa de um dos alvos. Os pedidos de busca e apreensão foram expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a PF, a investigação teve início a partir de um procedimento administrativo da Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), instaurado para investigar a conduta de Scisinio, por supostamente dar pareceres favoráveis às ações.
Ainda de acordo com a corporação, a família do magistrado recebia vantagens indevidas com imóveis, descontos comerciais, e pagamentos indiretos feitos por pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados.
A polícia também descobriu que os crimes ocorriam quando o magistrado ainda exercia suas funções na 1ª instância, mas os atos de lavagem de dinheiro se prolongaram por mais tempo, o que permitiu o rastreamento da PF. Assista abaixo a apreensão de dinheiro na casa de um dos alvos:
Desembargador
Investigado na operação Em Nome do Pai, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, o desembargador Alexandre Scisinio tem trajetória familiar no Direito e construiu a maior parte da carreira na Justiça do Rio de Janeiro, especialmente em Niterói, na Região Metropolitana. A operação da PF apura um suposto esquema onde o magistrado teria favorecido empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais.
Scisinio foi promovido ao cargo de desembargador pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em janeiro deste ano. Antes de chegar ao segundo grau, atuou por cerca de duas décadas como titular da 9ª Vara Cível de Niterói. De acordo com informações da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), ele iniciou a carreira jurídica como defensor público, em 1982. Dez anos depois, ingressou na magistratura.
Ao longo da carreira como juiz, passou por diferentes comarcas do estado, entre elas Vassouras, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Cabo Frio, São Gonçalo e Niterói. Também atuou nas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis da Região dos Lagos e de Niterói. O magistrado ainda exerceu a função de juiz eleitoral titular da 71ª Zona Eleitoral e foi juiz dirigente do 2º Núcleo Regional (NUR) do TJRJ. Também trabalhou como titular das comarcas de São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande, na Região dos Lagos.
Antes de ingressar na magistratura, ele ainda exerceu a advocacia. Uma parte de sua carreira também o levou para sala de aula, onde atuou como professor de Direito Civil e Direito Comercial na Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas e de Direito Empresarial da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A trajetória no Direito segue uma tradição familiar: seu pai, Alaor Eduardo Scisinio, era advogado e professor e escreveu livros relacionados à defesa da causa racial.
Alvo da PF
Segundo a PF, Alexandre é investigado por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Agentes federais foram até a casa do magistrado nesta quinta-feira e de seus familiares para investigar se ele teria favorecido empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais. Nos endereços, os policiais apreenderam documentos, celulares e dinheiro.
Segundo a corporação, a apuração começou a partir de um procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria Geral do TJRJ para investigar a conduta dele. De acordo com a PF, vantagens indevidas teriam sido destinadas à família do desembargador por meio de imóveis, descontos comerciais considerados excepcionais e pagamentos indiretos. Pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados também teriam sido utilizadas nas operações, segundo a investigação.
Os fatos relacionados à corrupção teriam ocorrido quando o desembargador ainda atuava na primeira instância. Já as suspeitas de lavagem de dinheiro teriam se estendido posteriormente, segundo a PF.