Rio de Janeiro, 10 de Janeiro de 2026

Polarização política divide o país desde o fim da ditadura militar

A polarização política no Brasil se intensificou desde o fim da ditadura militar, refletindo nas avaliações dos presidentes e na dinâmica da opinião pública.

Sexta, 09 de Janeiro de 2026 às 20:22, por: CdB

Desde então, diz o instituto, “a avaliação dos mandatários flutuou principalmente de acordo com o desempenho na economia, escândalos de corrupção e crises de segurança pública.

Por Redação – de São Paulo

No levantamento produzido pelo Instituto DataFolha e divulgado nesta sexta-feira, o cenário político do país mostra-se polarizado desde a metade do século passado, quando o organismo passou a questionar se os eleitores consideram o governo do presidente da República ótimo ou bom, regular, ruim ou péssimo. O primeiro estudo data de 1987, sendo que o DataFolha foi fundado em 1983.

Polarização política divide o país desde o fim da ditadura militar | Os militares, que ocuparam o poder no Brasil por mais de 20 anos, deixaram um país dividido com o fim do regime
Os militares, que ocuparam o poder no Brasil por mais de 20 anos, deixaram um país dividido com o fim do regime

Desde então, diz o instituto, “a avaliação dos mandatários flutuou principalmente de acordo com o desempenho na economia, escândalos de corrupção e crises de segurança pública. O ambiente de polarização e as mudanças na dinâmica de consumo de informações também são apontados como fatores que achataram o limite de aprovação de um presidente”.

 

Metodologia

— Há, agora, mais eleitores convictos contra ou a favor de um presidente, o que dificulta o avanço a índices muito altos de popularidade, como os vistos entre 2010 e 2013. Após 2014 nenhum presidente conseguiu atingir índices de avaliação positiva superior a 42%. Certamente a polarização contribui — calculou a diretora da empresa de pesquisas, Luciana Chong.

A executiva explica que as pesquisas de avaliação de governo permitem comparação ao longo do tempo “por seguirem metodologia semelhante desde a redemocratização, com exceção dos levantamentos iniciais do governo Sarney, restritos a capitais”.

Já o cientista político Creomar de Souza, professor da Fundação Dom Cabral e fundador da consultoria política Dharma, ouvido pelo diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, acredita que a “cacofonia informacional produzida pelas redes sociais é um fator relevante” para explicar a dificuldade de governos como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ampliar a avaliação positiva.

 

Crises

Se o fluxo de informação é muito rápido, afirma, os ganhos decorrentes de ações do governo também tendem a se dissipar com mais rapidez, fenômeno que afeta o processo eleitoral.

A superposição de crises políticas, econômicas e institucionais significaria também um fator recorrente na oscilação da popularidade presidencial ao longo da série histórica.

— E hoje essa dinâmica está em seu ápice: na administração Lula, aqueles que votaram em Bolsonaro vão avaliar o governo muito mal, e os lulistas vão tendencialmente avaliar o governo muito bem, numa dinâmica em que tudo é justificável, em determinado sentido. Os acertos são sempre justificáveis pelos apoiadores, os erros são sempre superlativizados pelos opositores — conclui.

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