As informações foram divulgadas oficialmente pelo governo brasileiro, nesta sexta-feira, e detalham três telefonemas realizados na véspera.
Por Redação – de Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado, nas últimas horas, as conversas com os presidentes da Colômbia, México e Canadá em face do agravamento da crise político-econômica, na Venezuela; além das crescentes tensões internacionais estimuladas por declarações, ameaças e atos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os encontros bilaterais, por meio de interação digital, tiveram como eixo central a defesa da soberania venezuelana, o respeito ao direito internacional, o multilateralismo e a rejeição ao uso da força na política externa.

As informações foram divulgadas oficialmente pelo governo brasileiro, nesta sexta-feira, e detalham três telefonemas realizados na véspera. Em todos eles, Lula e seus interlocutores manifestaram preocupação com ações militares recentes contra a Venezuela, consideradas violações à Carta das Nações Unidas e um risco concreto à paz e à segurança regional.
Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, os dois chefes de Estado demonstraram forte apreensão com o uso da força contra um país sul-americano e alertaram para o precedente perigoso que esse tipo de ação representa para a ordem internacional. Ambos concordaram que a crise venezuelana deve ser solucionada exclusivamente por meios pacíficos.
Estoques
Lula também informou a Petro que o Brasil está enviando, a pedido do governo venezuelano, 40 toneladas de insumos e medicamentos, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas, para recompor estoques de produtos essenciais para diálise que foram atingidos por bombardeios no último sábado. Brasil e Colômbia reafirmaram o compromisso de cooperação em favor da paz e da estabilidade na Venezuela, lembrando ainda o acolhimento de migrantes venezuelanos nos dois países, que compartilham extensas fronteiras com o território vizinho.
No diálogo com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, Lula trocou impressões sobre os impactos regionais da crise venezuelana. Os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo no direito internacional e na Carta da ONU.
O presidente brasileiro ressaltou que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo e defendeu a manutenção da América do Sul como uma zona de paz. Durante a conversa, Lula e Carney também convergiram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global.
Encontro
O primeiro-ministro canadense aceitou convite para visitar o Brasil em abril, quando os dois pretendem aprofundar as relações bilaterais e avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.
No contato com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, Lula voltou a repudiar os ataques à soberania venezuelana. Ambos rejeitaram qualquer concepção que retome a divisão do mundo em zonas de influência, classificando essa lógica como ultrapassada.
Ambos os mandatários reiteraram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio; além de manifestar disposição para manter a cooperação com a Venezuela em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional. Lula também convidou Sheinbaum para uma visita oficial ao Brasil, em data a ser definida pelas chancelarias, e os dois governos concordaram em estabelecer cooperação específica no combate à violência contra a mulher.