No Brasil, o sequestro de Maduro foi rapidamente apropriado por forças políticas em lados opostos. Setores da direita tentaram enquadrar o episódio como prova de que a Venezuela vive sob uma ditadura.
Por Redação – de Brasília
A operação dos Estados Unidos que resultou no sequestro de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, provocou uma reação imediata no Brasil e colocou o tema no centro das declarações de lideranças políticas envolvidas na disputa presidencial de 2026. A leitura, porém, é que o episódio deve ter efeito eleitoral limitado, porque a retórica de cada campo político tende a reforçar convicções já existentes, sem produzir migração relevante de votos.

A avaliação foi destacada em análise da consultoria Warren Rena, em mensagem a investidores citada pelo diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’, segundo a qual, “com as informações disponíveis até aqui”, o cenário mais consistente é o de um “jogo de soma zero, sem efeitos relevantes de conversão eleitoral”. Ou seja: a crise pode elevar o tom do debate e ampliar a polarização discursiva, sem influenciar o eleitorado.
Ditadura
No Brasil, o sequestro de Maduro foi rapidamente apropriado por forças políticas em lados opostos. Setores da direita tentaram enquadrar o episódio como prova de que a Venezuela vive sob uma ditadura.
Do outro lado, integrantes do campo progressista reagiram com críticas ao que classificam como violação de soberania e uma intervenção externa na América Latina, em defesa da autodeterminação dos povos, o que dialoga com as forças progressistas.
O movimento duplo, porém, não significa automaticamente um ganho político de lado a lado. A leitura predominante é que ambos os lados falaram, majoritariamente, para públicos alinhados, em um episódio que se torna outro marcador identitário da polarização e menos um tema capaz de virar votos.