Rio de Janeiro, 12 de Agosto de 2026

Planalto detecta claro objetivo de intervenção dos EUA nas eleições

O conteúdo da peça publicitária, conforme observaram integrantes da campanha petista, não se limita a uma referência histórica.

Quarta, 12 de Agosto de 2026 às 21:34, por: CdB

O conteúdo da peça publicitária, conforme observaram integrantes da campanha petista, não se limita a uma referência histórica.

Por Redação – de Brasília

O núcleo político da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição identificou com total nitidez a articulação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na tentativa de desgastar politicamente o governo brasileiro como uma ação direta do governo norte-americano.

Rubio tem um discurso de extrema direita

De acordo com a apuração do jornalista Valdo Cruz, no site de notícias G1, nesta quarta-feira, o Departamento de Estado dos EUA divulgou um vídeo no qual resgata a Doutrina Monroe, formulada no século XIX, associada à ideia de predominância dos Estados Unidos sobre o continente americano.

O conteúdo da peça publicitária, conforme observaram integrantes da campanha petista, não se limita a uma referência histórica. Para integrantes do governo brasileiro, segundo Cruz, a peça ressalta a orientação da ala ideológica do governo Donald Trump, liderada por Rubio, e reforça uma estratégia de retomada da influência direta de Washington sobre os países latino-americanos.

Pequim

Segundo esses assessores, a China aparece como o principal alvo geopolítico da movimentação yankee. A avaliação é que os EUA tentam barrar o ingresso do governo chinês na região e manter a América do Sul como uma área de influência subordinada aos interesses de Washington.

O Brasil, nesse cenário, tem sido considerado uma peça central da disputa. Além de ser o maior país sul-americano, é governado por Lula, um presidente de centro-esquerda que mantém relações diplomáticas e comerciais relevantes com diferentes polos internacionais, inclusive Pequim.

A área de influência política do Palácio do Planalto também interpreta o vídeo como um sinal de apoio do governo Trump às forças conservadoras latino-americanas. Nesse contexto, assessores de Lula citam a proximidade entre aliados da família Bolsonaro e Marco Rubio.

Desalinhados

A pressão norte-americana sobre o Brasil, na leitura desses interlocutores, faria parte de uma ação mais ampla para fortalecer lideranças de direita na região e enfraquecer governos considerados desalinhados com a agenda de Washington.

Internamente, assessores do presidente Lula chegaram a comparar a ala comandada por Rubio aos personagens do desenho animado ‘Os Pinguins de Madagascar’, em referência ao que avaliam como uma condução improvisada e excessivamente ideológica da política externa norte-americana.

O vídeo divulgado pelo Departamento de Estado menciona episódios ligados à Doutrina Monroe e ações recentes de Washington no continente. Para o governo Lula, a mensagem política é clara: os Estados Unidos querem reafirmar domínio nas Américas em meio à disputa global com o governo comunista chinês.

Edições digital e impressa