Operação Fatura Exposta apura esquema de falsificação de laudos para obtenção de reembolsos por sessões de fisioterapia que não teriam sido realizadas.
Por Redação, com Agenda do Poder – de Brasília
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira, a Operação Fatura Exposta para desarticular um esquema de fraudes que teria causado prejuízo superior a R$ 8 milhões ao Plano de Assistência à Saúde do Serviço Federal de Processamento de Dados (PAS/Serpro). A investigação aponta que os suspeitos utilizavam laudos supostamente falsificados para solicitar reembolsos de procedimentos de fisioterapia que, segundo a apuração, nunca foram realizados.

A ação é conduzida em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e busca reunir provas sobre a atuação da organização criminosa, além de identificar todos os envolvidos no esquema.
Ao todo, policiais federais cumprem 21 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
Falsificados
Segundo a Polícia Federal, as investigações indicam que o grupo fraudava pedidos de reembolso apresentados ao plano de saúde do Serpro, utilizando documentação médica supostamente adulterada para justificar tratamentos inexistentes.
O esquema teria se concentrado em solicitações relacionadas a sessões de fisioterapia. Após a apresentação dos documentos, os valores eram reembolsados pelo plano de assistência médica, gerando prejuízo milionário aos cofres da operadora.
De acordo com a PF, as irregularidades começaram a ser investigadas após o recebimento de uma denúncia. Na sequência, auditorias realizadas sobre os pedidos de reembolso identificaram indícios de inconsistências que reforçaram a suspeita de fraude sistemática.
Com o avanço da apuração, os investigadores reuniram elementos que embasaram a operação desta quinta-feira.
Planos de saúde
Além de esclarecer a atuação do grupo no PAS/Serpro, a Polícia Federal também apura se o mesmo método foi empregado para fraudar outras operadoras de planos de saúde.
A linha de investigação busca identificar se clínicas, profissionais de saúde ou intermediários utilizaram o mesmo modelo de falsificação documental para obter pagamentos indevidos em diferentes instituições.
Caso essa hipótese seja confirmada, o alcance da fraude poderá ser significativamente maior do que o inicialmente identificado.
As diligências realizadas durante o cumprimento dos mandados deverão permitir a análise de documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros que possam indicar a extensão das irregularidades.
A empresa pública administra sistemas estratégicos do governo.
O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) é uma empresa pública federal vinculada ao governo brasileiro e considerada uma das principais estruturas de tecnologia da informação da administração pública.
A instituição desenvolve sistemas digitais utilizados por diversos órgãos federais, administra grandes bases de dados governamentais — entre elas as da Receita Federal — e presta serviços voltados à segurança da informação, inteligência digital e transformação tecnológica para o setor público e também para clientes privados.
O plano de assistência à saúde administrado pela empresa atende empregados e beneficiários vinculados ao Serpro.
Crimes
De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder por diversos crimes relacionados ao esquema.
Entre eles estão obtenção fraudulenta de recursos, uso de documentos falsos, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, rastrear o destino dos recursos obtidos de forma irregular e verificar a eventual participação de novos beneficiários ou colaboradores no esquema.