O pontífice destacou ainda a necessidade de haver “um processo de conversão em que o sofrimento dos outros seja ouvido e nos leve à ação”.
Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano
O papa Leão XIV afirmou nesta segunda-feira que a prevenção do abuso infantil deve começar pela proteção das vítimas e ser entendida como uma expressão natural da fé, e não apenas como uma obrigação formal.

A declaração foi dada aos participantes da Assembleia Plenária da Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores, recebidos em audiência no Vaticano.
– Sua missão é ajudar a garantir que o abuso seja prevenido. No entanto, a prevenção nunca se reduz a um conjunto de protocolos ou procedimentos. Trata-se, antes, de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura de cuidado, na qual a proteção dos menores e das pessoas vulneráveis não seja vista como uma obrigação imposta externamente, mas como uma expressão natural da fé – declarou o religioso.
O pontífice destacou ainda a necessidade de haver “um processo de conversão em que o sofrimento dos outros seja ouvido e nos leve à ação”.
– Embora certamente dolorosas e difíceis de ouvir, essas experiências trazem a verdade à luz de forma poderosa e nos ensinam a humildade enquanto nos esforçamos para ajudar as vítimas e os sobreviventes – salientou Leão XIV.
Ao mesmo tempo, o papa explicou que “é precisamente através do reconhecimento da dor que se abre um caminho credível de esperança e renovação”.
Os desafios
Durante o encontro, ele abordou também os desafios da proteção infantil no mundo digital, elogiando os esforços da comissão para estudar o conceito de vulnerabilidade e a prevenção do abuso facilitado pela tecnologia.
– Ao lerem esses ‘sinais dos tempos’, vocês ajudam a Igreja a enfrentar corajosamente os desafios da proteção e a responder com clareza pastoral e renovação estrutural – afirmou.
Por fim, Leão XIV expressou expectativa pela “proposta final” da comissão, para que, após o “estudo e o discernimento adequados, possa ser publicada”.