A declaração foi dada durante uma missa para 100 mil fiéis na Basílica da Imaculada Conceição, em Mongomo, na Guiné Equatorial.
Por Redação, com ANSA – de Mongomo, na Guiné Equatorial
O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira que as riquezas naturais devem se tornar uma “bênção para todos”, em mais um apelo na África em prol de uma distribuição igualitária dos recursos de um país.

A declaração foi dada durante uma missa para 100 mil fiéis na Basílica da Imaculada Conceição, em Mongomo, na Guiné Equatorial, país de cerca de 2 milhões de habitantes e com população majoritariamente católica. O público da celebração inclui peregrinos dentro da igreja e nas áreas circundantes.
– O Criador vos dotou de tantas riquezas naturais: exorto-vos a cooperar para que sejam uma bênção para todos. Que o Senhor vos ajude a tornar-vos cada vez mais uma sociedade em que cada pessoa, segundo as suas diferentes responsabilidades, trabalhe para servir o bem comum e não interesses particulares, superando as desigualdades injustas entre os privilegiados e os desfavorecidos – afirmou o pontífice norte-americano em sua homilia.
Fiéis
A Guiné Equatorial conta com grandes reservas de petróleo, produto destinado sobretudo à exportação, mas tem mais da metade da população abaixo da linha da pobreza. A nação é governada há quase 47 anos pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que assistiu à missa em Mongomo e é acusado de violações de direitos humanos.
Na homilia, o papa também destacou a existência de uma “grande fome de futuro, esperança, justiça, paz e fraternidade”.
– O futuro depende das suas escolhas; está confiado ao seu senso de responsabilidade e ao compromisso compartilhado em salvaguardar a vida e a dignidade de cada pessoa – salientou Leão XIV.
O pontífice também alertou para as “condições preocupantes” enfrentadas por detentos nas prisões da Guiné Equatorial, pouco antes de visitar a penitenciária de Bata, conhecida pela superlotação e pelos relatos de maus-tratos contra prisioneiros.
– Que os espaços de liberdade cresçam, que a dignidade da pessoa humana seja sempre protegida: penso nos mais pobres, nas famílias em dificuldade; penso nos prisioneiros, muitas vezes forçados a viver em condições higiênicas e sanitárias preocupantes – disse.
Leão XIV fica no país até esta quinta-feira, quando encerrará seu primeiro tour pela África, que também incluiu Argélia, Camarões e Angola.