Rio de Janeiro, 14 de Junho de 2026

Papa exalta padre italiano morto no Brasil

O Papa Leão XIV destaca a beatificação de dom Nazareno Lanciotti, sacerdote italiano assassinado no Brasil por defender os pobres.

Domingo, 14 de Junho de 2026 às 11:57, por: CdB

Nascido em 3 de março de 1940, em Roma, dom Nazareno foi ordenado padre em 1966 e se mudou em 1972 para o Mato Grosso, atuando na Diocese de São Luiz de Cáceres.

Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano

O papa Leão XIV comentou neste domingo a beatificação do missionário italiano Nazareno Lanciotti, reconhecido como mártir após ter sido assassinado em uma paróquia no estado do Mato Grosso.

Papa Leão XIV celebra Angelus no Vaticano

– Desejo recordar alguns novos beatos: os sacerdotes diocesanos Venceslau Drbola e João Bula, da Morávia; João Swierc e seus oito companheiros, sacerdotes salesianos polacos. Todos foram beatificados como mártires porque, devido à sua fidelidade a Cristo, foram vítimas das perseguições de regimes totalitários – disse o pontífice em seu Angelus dominical.

– No sábado, ainda, no Brasil, no Estado do Mato Grosso, foi beatificado Nazareno Lanciotti, sacerdote romano missionário, também ele mártir, porque defendia os mais pobres em nome do Evangelho. Que o exemplo e a intercessão destas corajosas testemunhas sustentem a missão dos presbíteros e da Igreja inteira – acrescentou o papa.

A missa de beatificação de dom Nazareno foi realizada pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e que definiu o missionário como “testemunha exemplar da vida cristã para toda a Igreja e para a humanidade”.

Mato Grosso

Nascido em 3 de março de 1940, em Roma, dom Nazareno foi ordenado padre em 1966 e se mudou em 1972 para o Mato Grosso, atuando na Diocese de São Luiz de Cáceres.

Na cidade de Jauru, no oeste do Estado, fundou o asilo “Coração Imaculado de Maria” e se tornou uma voz reconhecida contra latifundiários e traficantes de drogas. Em uma ocasião, chegou a se ajoelhar em meio a um confronto por posse de terras na região para impedir que pessoas morressem.

Em 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com amigos após uma missa, foi baleado com um tiro na nuca por dois homens encapuzados que invadiram a casa paroquial em Jauru, simulando um assalto. O italiano chegou a ser transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mas acabaria morrendo em 22 de fevereiro daquele ano.

Segundo o Dicastério para as Causas dos Santos, dom Nazareno foi morto “por ódio à fé”, o que configura um martírio. Dessa forma, não foi exigido um milagre para torná-lo beato.

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