Investigação aponta venda de carregadores e projetos de “armas fantasmas” para compradores em 11 Estados.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Uma operação conjunta contra um esquema interestadual de fabricação e comercialização de armas produzidas com impressoras 3D foi deflagrada nesta quinta-feira. Um homem, apontado pelos investigadores como responsável por comandar o grupo, e outros três envolvidos foram presos.

A ação, batizada de Operação Shadowgun, é conduzida pela Polícia Civil do Rio, pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O preso é Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido como Zé Carioca, apontado como um dos líderes do grupo. Ele foi detido em Rio das Pedras.
Na mesma cidade, agentes também localizaram um galpão usado para armazenar armamentos e equipamentos do grupo. No local foram apreendidos pistolas, revólveres, espingardas e rifles, além de coletes, capacetes, munições, rádios comunicadores, celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos.
Ao todo, a Justiça autorizou cinco mandados de prisão, sendo cumpridos em São Paulo, além de 32 mandados de busca e apreensão distribuídos pelo estado paulista e por outros 10 estados. As diligências contam com apoio das polícias civis locais.
As apurações são conduzidas pela 32ª DP (Taquara), em parceria com o CyberGaeco. Segundo os investigadores, o grupo utilizava tecnologia de impressão 3D para produzir principalmente carregadores de armas de fogo, que depois eram vendidos pela internet.
Além das peças, os suspeitos também disponibilizavam na rede projetos de “armas fantasmas”, armamentos que não possuem numeração de série e, por isso, não podem ser rastreados.
Entre os materiais divulgados estava o modelo de uma arma semiautomática produzida por impressão 3D. O projeto circulava acompanhado de um guia técnico detalhado e de um texto com posicionamento ideológico defendendo a liberação ampla do porte de armas.
Principal suspeito
De acordo com a polícia, o principal investigado é um engenheiro com especialização em controle e automação. Usando um nome falso nas redes sociais, ele publicava vídeos de testes balísticos, apresentava modificações nos projetos e ensinava como montar e calibrar os equipamentos.
Os investigadores também identificaram um manual com mais de 100 páginas, criado pelo suspeito, explicando o processo de fabricação. O documento detalhava cada etapa da produção e indicava que o armamento poderia ser montado em casa com impressoras 3D de custo relativamente baixo.
Os conteúdos eram compartilhados em redes sociais, fóruns online e também em ambientes da dark web. As investigações indicam ainda que criptomoedas eram usadas nas transações financeiras ligadas ao grupo.
Grupo atuava
A força-tarefa identificou outros três integrantes que participariam da estrutura. Cada um desempenhava um papel específico: um era responsável por suporte técnico aos usuários, outro atuava na divulgação e na articulação ideológica do material, enquanto o terceiro cuidava da identidade visual e da propaganda.
Para os investigadores, a organização apresentava divisão clara de funções e reunia conhecimentos técnicos em áreas como engenharia, impressão 3D e segurança digital para viabilizar a produção e disseminação das armas.
Vários Estados
Durante a investigação, foram identificadas 79 negociações realizadas entre 2021 e 2022.
Os compradores estão espalhados por 11 Estados brasileiros, e parte deles possui antecedentes criminais, principalmente relacionados ao tráfico de drogas e a outros crimes graves.
A polícia também apura se os equipamentos produzidos pelo grupo estavam sendo usados para abastecer facções criminosas ou milícias. Um dos clientes identificados já está preso após ter sido flagrado com grande quantidade de armas e munições.
No Rio de Janeiro, os investigadores localizaram 10 compradores, em cidades como São Francisco de Itabapoana, Araruama, São Pedro da Aldeia e Armação dos Búzios, além da capital, nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e Barra da Tijuca.