Rio de Janeiro, 27 de Março de 2026

Ofensiva israelense cresce antes de discussões de paz na ONU

Israel intensifica ataques ao Irã, visando instalações de mísseis antes de reunião da ONU. A situação no Oriente Médio se agrava com propostas de cessar-fogo e aumento das tropas dos EUA na região.

Sexta, 27 de Março de 2026 às 10:25, por: CdB

A ofensiva visou locais “no coração de Teerã”, utilizados para produzir mísseis balísticos e outras armas, assim como lançadores de mísseis e locais de armazenamento no oeste do Irã, afirmaram os militares israelitas.

Por Redação, com Lusa – de Jerusalém, Teerã

Israel lançou nova onda de ataques contra o Irã na madrugada desta sexta-feira, antes de uma reunião planejada do Conselho de Segurança da ONU para discutir os bombardeios de infraestruturas civis iranianas.

Ofensiva israelense cresce antes de discussões de paz na ONU | Organização discute ataques à infraestrutura civil iraniana
Organização discute ataques à infraestrutura civil iraniana

A ofensiva visou locais “no coração de Teerã”, utilizados para produzir mísseis balísticos e outras armas, assim como lançadores de mísseis e locais de armazenamento no oeste do Irã, afirmaram os militares israelitas.

Muita fumaça também foi vista sobre Beirute, embora Israel não tenha relatado de imediato ataques contra a capital libanesa. Sirenes de ataque aéreo soaram em Israel, com os militares afirmando que trabalhavam para interceptar mísseis iranianos.

O Irã continuou a disparar mísseis e drones contra os vizinhos árabes do Golfo, com sirenes alertando para ataques no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.

O Kuwait afirmou que o Porto de Shuwaikh, na Cidade do Kuwait, sofreu “danos materiais” em um ataque, mas que ninguém ficou ferido.

O Conselho de Segurança da ONU agendou consultas, a portas fechadas, sobre o Irã para hoje em Nova York, de acordo com dois diplomatas da ONU que pediram para não ser identificados pelo fato de a reunião não ser pública.

As mesmas fontes acrescentaram que a Rússia solicitou a reunião sobre os ataques israelenses-americanos contra infraestruturas civis no Irã. Os Estados Unidos (EUA), que detêm a presidência do Conselho de Segurança, agendaram o encontro.

Os EUA pressionaram o Irã a iniciar conversações tendo como base uma proposta de cessar-fogo de 15 pontos, mas, ao mesmo tempo ordenaram o envio de mais tropas para a região, o que se acredita serem preparações para uma tentativa militar de retirar o Estreito de Ormuz do controle apertado do Irã.

O enviado do presidente norte-americano Donald Trump, Steve Witkoff, informou que Washington entregou a proposta para um possível cessar-fogo utilizando o Paquistão como intermediário. A lista inclui restrições ao programa nuclear do Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O Irã rejeitou a oferta dos EUA e apresentou sua própria proposta de cinco pontos, que inclui reparações e o reconhecimento da sua soberania sobre o Estreito de Ormuz.

Depois de Wall Street ter registrado o pior dia desde o início da guerra, as ações asiáticas tiveram quedas consideráveis hoje devido às crescentes dúvidas sobre as hipóteses de um conflito prolongado.

Os preços do petróleo voltaram a subir. O Brent, o padrão internacional, fixou-se em US$ 107 por barril hoje de manhã, uma subida de mais de 45% desde que Israel e os EUA atacaram o Irã, em 28 de fevereiro, e iniciaram a guerra.

O controle do Irão sobre a navegação por meio do Estreito de Ormuz causou crescentes preocupações de uma crise energética global e parece fazer parte de uma estratégia para forçar os EUA a recuar, perturbando a economia mundial.

O bloco árabe do Golfo afirmou, na quinta-feira que o Irã está agora cobrando portagens aos navios para garantir a passagem segura pela via navegável.

EUA

À medida que os esforços diplomáticos prosseguem, um grupo de navios dos EUA aproximou-se da região com cerca de 2.500 fuzileiros navais. Pelo menos mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada — treinados para aterrissar em território hostil a fim de garantir território estratégico e aeródromos — receberam ordens de mobilização para a região.

O secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, Jan Egeland, afirmou que os trabalhadores da organização humanitária no Irã lhe comunicaram que “inúmeras casas, hospitais e escolas foram danificados ou destruídos” e que quase todos os bairros de Teerã sofreram danos.

“Os civis estão pagando o preço mais elevado por essa guerra — ela tem de acabar”, afirmou em comunicado.

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