Nesta sexta‑feira, o primeiro destacamento militar dos Estados Unidos chegou a Caracas para “coordenar” a resposta norte-americana, após Washington anunciar a liberação de US$ 150 milhões em assistência.
Por Redação, com RFI – de Caracas
Da América Latina ao Vaticano, governos e organizações internacionais se mobilizam para socorrer a Venezuela, um dia após o país ser devastado por um poderoso terremoto duplo que deixou centenas de mortos e milhares de feridos.

Nesta sexta‑feira, o primeiro destacamento militar dos Estados Unidos chegou a Caracas para “coordenar” a resposta norte-americana, após Washington anunciar a liberação de US$ 150 milhões em assistência.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, este montante será dividido entre US$ 50 milhões destinados às organizações humanitárias que atuam no local e US$ 100 milhões ao Escritório da ONU para Assuntos Humanitários. Duas equipes especializadas em busca e resgate de desaparecidos também serão enviadas à região afetada pelos tremores.
Na rede social X, o Comando Militar dos Estados Unidos para a América Latina e o Caribe (Southcom) anunciou a chegada a Caracas do major‑general dos Fuzileiros Navais, Kevin J. Jarrard. Ele irá “coordenar e dirigir as capacidades logísticas e operacionais” do Exército dos Estados Unidos “para as áreas afetadas”, destaca o comunicado.
O texto lembra que “o governo interino da Venezuela solicitou formalmente o apoio dos Estados Unidos após os terremotos”. Ainda acrescenta que os militares norte-americanos utilizarão “aviões e helicópteros” em suas operações de socorro. Antes disso, o secretário de Defesa Pete Hegseth, anunciou no X que, a pedido do presidente Donald Trump, o Departamento de Guerra está mobilizado para apoiar a população venezuelana.
Em meio à mobilização liderada por Washington e organismos multilaterais, a China também sinalizou disposição para atuar na resposta ao desastre. Segundo a imprensa estatal chinesa, o presidente Xi Jinping afirmou que o país está pronto para apoiar a Venezuela nos esforços de socorro e reconstrução após o duplo terremoto. Xi enviou ainda uma mensagem de condolências à presidente interina, Delcy Rodríguez, nesta sexta‑feira, informou a agência Xinhua, após confirmar, na véspera, que dois cidadãos chineses estão entre as vítimas dos tremores.
Solidariedade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou na quinta-feira com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e foi um dos primeiros na América Latina a anunciar o envio de ajuda humanitária ao país. Segundo o governo brasileiro, uma equipe formada por bombeiros e agentes da Defesa Civil chegou nesta sexta para reforçar os trabalhos de resgate. No sábado, a previsão é que um outro avião desembarque na Venezuela transportando equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, 100 purificadores de água movidos a energia solar, além de medicamentos e materiais médicos para cirurgias.
A Argentina informou que acompanha de perto a situação e está “pronta para fornecer toda a ajuda humanitária necessária”. “Apesar das divergências que possam existir entre nossos governos, o presidente Javier Milei é solidário com o povo venezuelano”, afirmou um comunicado da presidência.
Lamentando uma “tragédia”, o Chile, governado pelo ultraconservador José Antonio Kast, declarou estar “pronto para oferecer ajuda humanitária e equipes de resgate”. Mesmo tom da parte do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, que ressaltou “sua disposição de apoiar em tudo o que o governo venezuelano considerar necessário”.
Já o presidente equatoriano Daniel Noboa, um dos grandes aliados de Donald Trump na América do Sul, declarou ter “ordenado o envio imediato de ajuda humanitária”, sem especificar qualquer valor. “Apesar das enormes diferenças, a humanidade deve sempre orientar a ação de um líder”, indicou.
Outro admirador do governo americano, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, propôs o envio de 300 socorristas e paramédicos. “Cinquenta toneladas de equipamentos, medicamentos e itens de primeira necessidade estão prontas para seguir para Caracas”, afirmou.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou ter “solicitado que a assistência necessária seja preparada”. “Por enquanto, nos pediram apoio com pessoal especializado em resgate e profissionais de saúde”, detalhou.
Aliada histórica da Venezuela, Cuba também se pronunciou. “Os profissionais de saúde cubanos presentes no local estão totalmente mobilizados e prestando atendimento médico à população afetada”, declarou o ministro das Relações Exteriores Bruno Rodríguez.
UE e Vaticano
– Estamos prontos para reforçar nossa ajuda – declarou a comissária europeia para Situações de Crise, Hadja Lahbib, acrescentando que o sistema europeu de detecção por satélite Copernicus foi ativado para apoiar as operações de resgate no local.
Vários países do bloco anunciaram também o envio de assistência. A França encaminhou uma equipe de 85 socorristas especializados em busca e salvamento em escombros. O Exército alemão declarou que está preparado para enviar até seis aviões carregados de ajuda e equipes de resgate. A Holanda, por sua vez, informou ter mobilizado uma equipe de resgate, além de cães farejadores e equipamentos.
A Espanha enviou socorristas do Exército e dos serviços de emergência da região de Madri, bem como uma equipe da agência espanhola de cooperação, anunciou o primeiro‑ministro Pedro Sánchez. Em Portugal, “há uma equipe de 50 pessoas” em “preparação desde o início da manhã”, segundo o ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel. A Itália também declarou estar “pronta para oferecer ajuda”.
O papa Leão XIV anunciou uma ajuda de emergência de US$ 100 mil. O montante, liberado pelo órgão da Santa Sé responsável pelas iniciativas de caridade e pela assistência a populações em dificuldade, constitui “uma primeira contribuição”, informou o site oficial de notícias Vatican News, sugerindo que o valor pode ser reforçado.
Coletivo maciço
O chefe das operações humanitárias da ONU anunciou na quinta‑feira que as Nações Unidas estão “totalmente mobilizadas” após dois terremotos sucessivos, de magnitude 7,2 e 7,5, que atingiram a Venezuela, e afirmou que a situação exige um “esforço coletivo maciço”.
Segundo ele, o Escritório da ONU para Assuntos Humanitários no local “coordena o rápido envio” de equipes de busca e resgate em áreas urbanas. “Também estou mobilizando uma equipe de intervenção rápida para reforçar a atuação do nosso pessoal no país”, acrescentou.
Fletcher ainda ressaltou que antes dos terremotos, quase oito milhões de pessoas na Venezuela já precisavam de ajuda humanitária. “Essa catástrofe pode agravar vulnerabilidades já existentes”, alertou Fletcher. Por isso, “um apoio internacional contínuo às organizações humanitárias que atuam no terreno é essencial e urgente.”