Rio de Janeiro, 29 de Julho de 2026

Japão intensifica buscas por sobreviventes após terremoto

Tremor de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do país, deixou ao menos 14 mortos. Shopping que desabou parcialmente é principal foco...

Quarta, 29 de Julho de 2026 às 12:36, por: CdB

Tremor de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sul do país, deixou ao menos 14 mortos. Shopping que desabou parcialmente é principal foco das buscas de equipes de resgate.

Por Redação, com DW – de Tóquio

Equipes de resgate trabalham contra o tempo nesta quarta-feira para localizar sobreviventes um dia após um terremoto de magnitude 7,1 atingir o sul do Japão. O tremor matou ao menos 14 pessoas, deixou milhares de imóveis sem energia e provocou danos em estradas, pontes e edifícios da região.

Centenas ficaram feridos em todo o país

O foco das buscas está em um shopping center parcialmente destruído perto da cidade de Kumamoto. O prédio sofreu uma explosão cerca de uma hora após o terremoto. Oito pessoas foram retiradas dos escombros, três delas morreram.

A operadora do centro comercial, a Aeon, informou que quatro funcionários continuavam desaparecidos após a conferência dos cerca de 2,7 mil trabalhadores do complexo. Os clientes haviam sido evacuados logo após o tremor inicial.

– Mesmo agora, há pessoas aguardando resgate, e esta é uma corrida contra o tempo – declarou a primeira-ministra Sanae Takaichi a jornalistas em Tóquio. “Mobilizaremos todos os recursos disponíveis para salvar o maior número possível de pessoas.”

Segundo as autoridades, além dos 14 mortos, cinco pessoas estavam em parada cardiorrespiratória e ao menos oito sofreram ferimentos graves. Hospitais da região atendiam dezenas de outros pacientes.

As causas da explosão no shopping ainda estão sob investigação. Equipes de resgate relataram cheiro de gás no interior do edifício, informou o porta-voz do governo Minoru Kihara.

– Eu achei que uma bomba tivesse explodido – disse à agência Jiji Press Takateru Sonoda, de 41 anos, proprietário de um salão de beleza e café próximo ao local. “Havia pessoas pedindo para todos evacuarem, as sirenes não paravam e as ruas estavam congestionadas. Foi um estado de pânico.”

Bombeiros, policiais e cerca de 170 militares concentravam as operações em áreas do prédio de onde partiram pedidos de socorro. No total, mais de 4,5 mil soldados foram mobilizados para auxiliar nos trabalhos de resposta ao desastre.

Sete pessoas também estão desaparecidas após o desabamento de uma chaminé em uma fábrica da Nippon Paper Industries. Outras quatro ficaram gravemente feridas, segundo autoridades locais.

Danos

Em toda a província, que já havia sido atingida por um terremoto devastador há dez anos, cerca de 260 mil pessoas receberam orientação para procurar centros de evacuação. A polícia informou ter recebido 386 chamadas de emergência após o tremor, incluindo relatos de desabamentos e pedidos de resgate.

O epicentro foi localizado cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Kumamoto, com população de aproximadamente 700 mil habitantes. Mais de 100 réplicas foram registradas após o terremoto principal.

Na cidade vizinha de Yatsushiro, uma das mais afetadas, muitas residências tiveram telhados danificados e alguns edifícios desabaram. Estradas de acesso à região apresentavam rachaduras e deformações, enquanto diversos estabelecimentos permaneciam fechados.

Parte de uma ponte desabou sobre o rio Kumagawa, atraindo moradores ao local.

As autoridades alertaram a população para a possibilidade de novos tremores fortes ao longo da próxima semana e para o risco de deslizamentos de terra. Em algumas áreas, a intensidade sísmica atingiu o nível máximo 7 na escala japonesa.

Com mais de 36 mil residências ainda sem energia elétrica e temperaturas próximas de 34°C nesta quarta-feira, os órgãos de defesa civil também alertaram para o risco de insolação e exaustão pelo calor.

Hospitais

Um hospital na cidade de Uki, próxima ao epicentro, informou que ficou inoperante devido à interrupção no fornecimento de energia.

– Tornou-se praticamente um hospital de campanha – afirmou o responsável pelo departamento administrativo à emissora NHK.

Outra unidade de saúde da cidade suspendeu novas internações após receber 86 feridos, incluindo três em estado grave.

Operadoras ferroviárias relataram que passageiros de trens de alta velocidade ficaram feridos durante o terremoto. Os serviços foram interrompidos imediatamente após o abalo.

A atenção pública voltou-se principalmente para o colapso parcial do shopping da Aeon, o maior da província. Imagens mostraram uma das laterais do edifício completamente arrancada, com vigas metálicas expostas e destroços espalhados pelo estacionamento.

Empresas com fábricas na região, como Renesas Electronics, Sony, Tokyo Electron e Honda, suspenderam operações. A Toyota informou que também interromperá temporariamente a produção em três unidades fora da província de Kumamoto até sexta-feira, devido à situação enfrentada por fornecedores.

A TSMC, maior fabricante terceirizada de semicondutores do mundo, evacuou funcionários de sua fábrica local por precaução, mas afirmou ter iniciado a retomada gradual das atividades ainda na noite de terça-feira.

Situado no chamado Anel de Fogo do Pacífico, o Japão concentra cerca de 20% dos terremotos de magnitude 6 ou superior registrados no planeta.

Há dez anos, um forte terremoto em Kumamoto matou 275 pessoas, feriu outras 2.739 e causou danos extensos a milhares de construções, incluindo o castelo da cidade, um dos principais pontos turísticos da região.

O castelo está entre os edifícios históricos afetados pelos tremores desta semana. Santuários com pesados telhados de cerâmica sofreram desabamentos parciais, assim como uma casa de chá do século XII.

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