Rio de Janeiro, 15 de Julho de 2026

Mulher queimada em terreiro ficou sem socorro, dizem testemunhas

Depoimentos prestados à Polícia Civil apontam que vítima precisou apagar as próprias chamas após explosão causada pelo uso de etanol durante ritual;...

Quarta, 15 de Julho de 2026 às 13:57, por: CdB

Depoimentos prestados à Polícia Civil apontam que vítima precisou apagar as próprias chamas após explosão causada pelo uso de etanol durante ritual; investigação segue na 33ª DP.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

A investigação sobre a morte de Caroline Pinto dos Santos, que sofreu queimaduras em 65% do corpo durante um ritual em um terreiro de candomblé na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ganhou novos desdobramentos. Testemunhas ouvidas pela Polícia Civil afirmaram que Gabriel Pimentel, filmado despejando etanol sobre uma cumbuca em chamas momentos antes da explosão, não prestou socorro à vítima após o acidente.

Caroline Pinto dos Santos morreu após sofrer queimaduras em explosão durante ritual em terreiro de candomblé

Caroline morreu no último dia 9, 25 dias depois de ter sido internada em estado grave. O caso é investigado pela 33ª DP (Realengo).

Depoimentos

Segundo os relatos colhidos pela polícia, Gabriel Pimentel não teria ajudado Caroline logo após as chamas atingirem seu corpo. Em depoimento, a irmã da vítima, Carina, afirmou que Caroline contou, ainda no hospital, que precisou utilizar um lençol para apagar o próprio corpo em chamas.

A família também informou à polícia que Caroline desconhecia que o ritual envolveria qualquer tipo de fogo ou material inflamável.

Outro integrante do terreiro, responsável por levá-la ao hospital, declarou que a casa religiosa não costumava realizar trabalhos com utilização de combustíveis inflamáveis.

Etanol

O proprietário do terreiro, Anderson Bruno de Andrade Júnior, afirmou à Polícia Civil que a responsável pelo ritual, Thayane Alves, não havia informado previamente que faria uso de material inflamável.

Segundo seu depoimento, Gabriel Pimentel foi expressamente orientado a não utilizar o galão de etanol durante a cerimônia. Ainda assim, teria aproveitado um momento de distração para despejar o combustível na cumbuca que já estava em chamas, provocando a explosão.

Uma das testemunhas também declarou acreditar que Thayane pretendia registrar o ritual em vídeo para publicação nas redes sociais.

As imagens analisadas pela investigação mostram Gabriel Pimentel aproximando-se do recipiente em chamas e despejando mais combustível. Logo em seguida, ocorre uma forte explosão, que atinge Caroline.

O vídeo também registra o momento de desespero das pessoas presentes, que começam a pedir água para tentar conter o incêndio.

Após sofrer queimaduras graves, Caroline foi socorrida ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, onde permaneceu internada até morrer.

Ela deixou três filhas, de 16, 10 e 5 anos.

O que diz a defesa:

Após o caso ganhar repercussão, Thayane Alves, que se apresenta como yalorixá, divulgou uma nota em suas redes sociais antes de desativar os perfis.

No comunicado, afirmou que o ritual tinha caráter estritamente particular e era conduzido exclusivamente por ela e por seu marido, Gabriel Pimentel. Também declarou que o proprietário do terreiro não teve participação na utilização do combustível nem era responsável pela vida religiosa de Caroline.

A nota classifica o episódio como um “acidente de natureza inesperada e imprevisível” e lamenta a morte da vítima.

A ocorrência foi inicialmente registrada na 35ª DP (Campo Grande) e posteriormente encaminhada à 33ª DP (Realengo), que continua apurando as circunstâncias do caso.

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