Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2026

Milei inicia tentativa de deter supostos ‘agentes russos’ na Argentina

O presidente Javier Milei anuncia investigação sobre uma rede russa de desinformação na Argentina, envolvendo agentes locais e pagamentos de US$ 283 mil para artigos críticos ao governo.

Sábado, 04 de Abril de 2026 às 16:28, por: CdB

“Vamos chegar até as últimas consequências para identificar todos os atores diretos e indiretos que participaram desta rede de espionagem ilegal”, afirmou o mandatário portenho em uma postagem na rede social X (ex-Twitter).

Por Redação, com DW – de Buenos Aires

Presidente da Argentina, o autodeclarado anarcocapitalista Javier Milei adiantou, neste sábado, que seu governo irá “até as últimas consequências” no caso da campanha de desinformação na imprensa do país realizada por uma rede russa em colaboração com agentes locais.

Milei inicia tentativa de deter supostos ‘agentes russos’ na Argentina | O ultradireitista Javier Milei é rejeitado por quase dois terços dos argentinos
O ultradireitista Javier Milei é rejeitado por quase dois terços dos argentinos

“Vamos chegar até as últimas consequências para identificar todos os atores diretos e indiretos que participaram desta rede de espionagem ilegal”, afirmou o mandatário portenho em uma postagem na rede social X (ex-Twitter).

Uma investigação baseada em 76 documentos dos serviços secretos russos vazados para um consórcio internacional de jornalistas revelou que entre junho e outubro de 2024 a rede russa La Compañía pagou US$ 283 mil para a publicação de pelo menos 250 artigos em mais de 20 veículos de imprensa argentinos.

“Os ‘jornalistas’ e ‘veículos’ vinculados a isso são apenas a ponta do iceberg de algo muito maior”, escreveu Milei, que avaliou o caso como sendo “de uma gravidade institucional poucas vezes vista na história”.

 

Críticas

O conteúdo dos artigos consistia principalmente em críticas sobre a situação econômica da Argentina, o custo social e humano das medidas de austeridade fiscal do governo Milei e o aumento das tensões diplomáticas com governos da região, e incluíam referências favoráveis à Rússia e contrárias aos Estados Unidos.

Segundo a investigação, muitos artigos incluíam distorções, exageros e notícias falsas, e alguns foram publicados sob identidades falsas. Os documentos mostram que a rede La Compañía se dedicou também a contratar pesquisas e relatórios sobre questões militares, de energia, políticas e sindicais.

A existência desta rede havia sido comunicada em julho de 2025 pelo então porta-voz e atual chefe de gabinete do governo, Manuel Adorni, e foi confirmada nesta sexta-feira pela Secretaria de Inteligência de Estado (Side), que apontou que o propósito era “difundir informações falsas e influenciar a opinião pública argentina em benefício de interesses geopolíticos estrangeiros”.

 

Denúncia

Os fatos, denunciados pela ex-ministra de Segurança Nacional e atual senadora pelo partido governista A Liberdade Avança, Patricia Bullrich, ganharam novos contornos, nas últimas horas, outra denúncia na Justiça argentina por parte do advogado Jorge Monastersky.

Também nesta manhã, a Embaixada da Rússia na Argentina afirmou em um comunicado que “não são apresentados fatos nem provas que respaldem essas insinuações”.

“Lamentamos que as posturas ideológicas voltem a se impor ao senso comum e que o desejo de turvar as relações bilaterais prevaleça sobre a vontade de desenvolvê-las”, conclui a nota.

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