ONU-Habitat reconhece projeto da Aldeia Céu Azul, no Espraiado, voltado à proteção territorial e cultural da comunidade Guarani.
Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro
Maricá conquistou um reconhecimento internacional por uma política voltada aos povos originários. O município está entre os vencedores mundiais do Scroll of Honour 2026, prêmio concedido pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), pela criação da Aldeia Indígena Céu Azul (Tekoa Ara Hovy), no Espraiado.

Considerado pelo ONU-Habitat seu principal reconhecimento internacional, o prêmio destaca iniciativas de desenvolvimento urbano e redução das desigualdades. Segundo a Prefeitura, a Aldeia Céu Azul é a primeira Reserva Municipal Indígena do Brasil e oferece à comunidade moradia, serviços essenciais e segurança jurídica sobre o território.
O prefeito Washington Quaquá comemorou a premiação nas redes sociais e atribuiu o reconhecimento a uma política pública que, segundo ele, busca preservar a identidade indígena e melhorar as condições de vida da comunidade.
– Queria agradecer à Organização das Nações Unidas, através da ONU-Habitat, por esse prêmio que nos deu dos assentamentos humanos por conta da Aldeia do Espraiado, a aldeia indígena do Espraiado – afirmou Quaquá em vídeo.
Projeto
A implantação da reserva percorreu diferentes administrações municipais. O projeto de transferência da comunidade para uma nova área começou a ser discutido no fim do segundo mandato de Quaquá, em 2016, enquanto grande parte de sua execução ocorreu durante a gestão de Fabiano Horta, entre 2017 e 2024.
Ao comentar a trajetória da comunidade, Quaquá lembrou sua passagem por Niterói antes da instalação em Maricá. “Nós tiramos esses índios que estavam sendo massacrados em Niterói e abrigamos eles em Maricá. A Aldeia do Espraiado é um exemplo”, declarou.
O prefeito também destacou características do projeto que, em sua avaliação, associam infraestrutura à preservação da identidade da comunidade. “Luz solar, sustentabilidade econômica indígena”, resumiu.
A candidatura de Maricá ao Scroll of Honour foi estruturada pela Secretaria de Representação e Articulação Institucional (Serai), enquanto o projeto premiado é conduzido pela Secretaria de Direitos Humanos em conjunto com a população indígena.
Restinga
No vídeo, Quaquá aproveitou o prêmio para falar também sobre outra comunidade Guarani de Maricá, a Mata Verde Bonita, e os planos do município para a área da restinga.
– É aqui na Restinga, a Mata Verde Bonita, também de índios guaranis, que nós estamos preparando a mais bela aldeia do Brasil – disse.
Segundo o prefeito, a iniciativa pretende demonstrar que desenvolvimento e proteção dos povos originários podem caminhar juntos. “A preservação da cultura e a preservação física, cultural dos indígenas brasileiros são absolutamente compatíveis com esse grande Brasil solidário e humano que nós queremos”, afirmou.
Criado em 1989, o Scroll of Honour reconhece anualmente iniciativas voltadas a cidades e comunidades mais inclusivas e sustentáveis. A cerimônia de entrega do prêmio de 2026 está marcada para 5 de outubro, Dia Mundial do Habitat, em Mascate, no Sultanato de Omã.