No fim de julho, Milei veio ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
Por Redação – de Brasília
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o advogado Márcio Elias Rosa minimizou as tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina desencadeadas por declarações recentes feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o ministro, o comportamento de Milei não afeta a relação comercial entre os dois países.

No fim de julho, Milei veio ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, que formalizou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino chamou o presidente Lula de “presidiário”.
Política
Dias depois, ele proferiu novas ofensas, chamando Lula de “ladrão” e “corrupto”. Milei alegou ainda que Lula teria sido libertado por uma “falha administrativa do processo” e não por ser inocente.
— Por pior que tenha sido o comportamento do presidente argentino, por mais inconveniente que ele tenha sido, ou no mínimo grosseiro, mal educado, não afeta a relação comercial, que precisa existir. Eu não dou para aquele episódio uma dimensão econômica ou comercial. Fica restrito ao plano político — acrescentou o ministro da Indústria, em entrevista ao diário conservador paulistano ‘O Estado de S. Paulo’.
Argentina e União Europeia (UE), ao lado da China e dos Estados Unidos, são os principais parceiros comerciais do Brasil. O país sul-americano foi o destino de 3,98% das exportações brasileiras no primeiro semestre deste ano e foi a origem de 4,49% das importações feitas.
Mercado
Márcio Elias Rosa também abordou a distribuição do excedente da produção chinesa no Brasil, argumentando que o mundo todo sofre esse efeito, pois nenhum país é capaz de acompanhar a China.
— Não há muito o que o governo fazer. É uma lei do mercado. Nós triplicamos o número de processos de antidumping, inclusive com relação à China. Um tratamento discriminatório da China nós não adotamos. Ou seja, seria fazer o mesmo que os Estados Unidos têm feito conosco em relação à China. Isso não podemos fazer, não faremos, pois isso não se admite — pontuou.
Consenso
Na Índia, durante missão oficial em que o ministro esteve na semana passada, entre os países do Brics, observou, “há um consenso de que ninguém consegue acompanhar a produção da China”.
— E quando há uma retração do mercado interno (chinês), todo mundo sofre a consequência, porque ela distribui, ela despeja a produção no mundo inteiro. E a um custo sempre muito baixo, não necessariamente com dumping. Então, ela consegue ser competitiva em todos os continentes. Isso é muito difícil — concluiu.