A formalização das conversas, que já duravam meses, foi feita nesta semana e anunciada por Caracas.
Por Redação, com Bloomberg – de Caracas
A Eneva, maior operadora privada de gás natural do Brasil, entrou no setor petrolífero da Venezuela, em expansão desde o início da tutela dos Estados Unidos sobre o Estado chavista, iniciada em janeiro com a captura do ditador Nicolás Maduro.

A formalização das conversas, que já duravam meses, foi feita nesta semana e anunciada por Caracas. A empresa brasileira, que tem o banco BTG Pactual como maior acionista individual, assinou um memorando de entendimento com a norte-americana Halliburton para identificar áreas de desenvolvimento.
Os detalhes não foram divulgados, mas pessoas familiarizadas com a negociação explicam que a Eneva começa oficialmente a prospectar oportunidades no país. Executivos da empresa têm viajado com frequência a Caracas, segundo diplomatas com conhecimento no tema disseram à reportagem.
Texas
Com patrocínio dos EUA, o setor petroleiro do país com as maiores reservas do mundo tem vivido um novo momento. A convite do governo Trump, por exemplo, executivos da estatal PDVSA participaram neste mês da reunião de energia do G20 no Texas, algo inimaginável até pouco tempo atrás.
O principal capítulo da história até aqui tenha sido o acordo firmado entre Caracas e Washington no final de agosto. Por meio dele, os EUA adquiriram o controle majoritário de mais de 21% das reservas venezuelanas.
Ao anunciar o acordo, Trump alegou que ele traria investimentos de mais de US$ 100 bilhões (cerca de R$ 500 bilhões) para o país, com reflexo na qualidade de vida da população. Mas a pouca ou nula transparência sobre o afluxo de dinheiro no setor petroleiro desde janeiro levantou desconfiança.
A Eneva se torna a segunda grande empresa brasileira a aproveitar a reabertura da economia venezuelana, após a JBS. A empresa dos irmãos Batista comprou uma fatia de quase 50% da Petrororaima, que explora na região do Orinoco.