Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026

Lula tenta atrair apoio de Motta ao fim da jornada de 6x1

Lula busca apoio de Hugo Motta para aprovar PL que reduz jornada de trabalho. Entenda como essa parceria pode impactar a política e a economia na Paraíba.

Sexta, 16 de Janeiro de 2026 às 20:31, por: CdB

Motta, segundo apurou a mídia conservadora, tende a se aproximar mais de Lula ao longo do ano, para garantir sua sobrevivência na Presidência da Câmara e expandir a influência eleitoral na Paraíba.

Por Redação – de Brasília

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), têm buscado afinar o discurso com vista aos palanques eleitorais, nos próximos meses, e o Projeto de Lei (PL) que altera a escala de trabalho entrou, definitivamente, na pauta. O Planalto aposta que a proposta tem forte apelo popular e cai feito uma luva na campanha de reeleição do presidente.

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Motta, segundo apurou a mídia conservadora, tende a se aproximar mais de Lula ao longo do ano, para garantir sua sobrevivência na Presidência da Câmara e expandir a influência eleitoral na Paraíba. Tem partido do deputado a busca por um diálogo mais próximo com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), com quem havia rompido relações no ápice da crise da Casa com o governo, no fim de 2025.

Lindbergh, por sua vez, tem capitaneado as conversas com Motta sobre o fim da escala 6×1, de acordo com voz corrente nos bastidores da Casa. O líder petista tem argumentado que a proposta conta com apoio popular e que o presidente da Câmara, se pautar e ajudar o governo a aprová-la, sairá como protagonista.

 

Aparições

Lula e Hugo Motta vêm se reaproximando desde o fim de 2025, com aparições públicas juntos. Integrantes do núcleo do governo, no entanto, ainda não têm certeza se o presidente da Câmara está disposto a enfrentar a pressão que empresários do setor de serviços, principalmente, farão contra a aprovação da proposta.

Também avaliam que mesmo se Motta aderir à ideia, não há garantia de que ela será aprovada. Para setores do governo, pautar a proposta já seria uma vitória. Esses grupos consideram que é uma pauta natural para a esquerda, com capacidade de emparedar a direita e o próprio ‘Centrão’ perante a opinião pública. Seria uma chance para o PT divulgar, nas redes sociais, os nomes e fotos dos parlamentares que votaram contra ou não apoiaram a votação do fim desse regime de trabalho.

Para diminuir a resistência de parlamentares e do empresariado à proposta, o governo Lula quer discutir um período de transição até a escala 6×1 ser, de fato, proibida. O Planalto sente um clima favorável perante a opinião pública neste momento e teme perder o ponto do caso se a discussão ficar para 2027, mesmo num cenário de eventual reeleição de Lula.

 

Proposição

O debate sobre a redução da escala de trabalho começou com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O Planalto, no entanto, decidiu apoiar a proposição que tivesse maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso, no caso, um PL.

A proposta abraçada pelo governo é capitaneada pelo deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto. O texto elaborado por Prates determina que a jornada de trabalho semanal seja reduzida de até 44 horas para até 40 horas, com dois dias consecutivos de descanso remunerado.

O projeto veda a redução de salários associada à diminuição da jornada e estipula uma transição de dois anos para o novo regime. Se o texto fosse aprovado hoje, em 2027 seriam 42 horas semanais de trabalho, e 40 horas a partir de 2028.

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