Motta, segundo apurou a mídia conservadora, tende a se aproximar mais de Lula ao longo do ano, para garantir sua sobrevivência na Presidência da Câmara e expandir a influência eleitoral na Paraíba.
Por Redação – de Brasília
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), têm buscado afinar o discurso com vista aos palanques eleitorais, nos próximos meses, e o Projeto de Lei (PL) que altera a escala de trabalho entrou, definitivamente, na pauta. O Planalto aposta que a proposta tem forte apelo popular e cai feito uma luva na campanha de reeleição do presidente.

Motta, segundo apurou a mídia conservadora, tende a se aproximar mais de Lula ao longo do ano, para garantir sua sobrevivência na Presidência da Câmara e expandir a influência eleitoral na Paraíba. Tem partido do deputado a busca por um diálogo mais próximo com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), com quem havia rompido relações no ápice da crise da Casa com o governo, no fim de 2025.
Lindbergh, por sua vez, tem capitaneado as conversas com Motta sobre o fim da escala 6×1, de acordo com voz corrente nos bastidores da Casa. O líder petista tem argumentado que a proposta conta com apoio popular e que o presidente da Câmara, se pautar e ajudar o governo a aprová-la, sairá como protagonista.
Aparições
Lula e Hugo Motta vêm se reaproximando desde o fim de 2025, com aparições públicas juntos. Integrantes do núcleo do governo, no entanto, ainda não têm certeza se o presidente da Câmara está disposto a enfrentar a pressão que empresários do setor de serviços, principalmente, farão contra a aprovação da proposta.
Também avaliam que mesmo se Motta aderir à ideia, não há garantia de que ela será aprovada. Para setores do governo, pautar a proposta já seria uma vitória. Esses grupos consideram que é uma pauta natural para a esquerda, com capacidade de emparedar a direita e o próprio ‘Centrão’ perante a opinião pública. Seria uma chance para o PT divulgar, nas redes sociais, os nomes e fotos dos parlamentares que votaram contra ou não apoiaram a votação do fim desse regime de trabalho.
Para diminuir a resistência de parlamentares e do empresariado à proposta, o governo Lula quer discutir um período de transição até a escala 6×1 ser, de fato, proibida. O Planalto sente um clima favorável perante a opinião pública neste momento e teme perder o ponto do caso se a discussão ficar para 2027, mesmo num cenário de eventual reeleição de Lula.
Proposição
O debate sobre a redução da escala de trabalho começou com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). O Planalto, no entanto, decidiu apoiar a proposição que tivesse maior possibilidade de um andamento rápido no Congresso, no caso, um PL.
A proposta abraçada pelo governo é capitaneada pelo deputado Léo Prates (PDT-BA), que assumiu a relatoria do projeto. O texto elaborado por Prates determina que a jornada de trabalho semanal seja reduzida de até 44 horas para até 40 horas, com dois dias consecutivos de descanso remunerado.
O projeto veda a redução de salários associada à diminuição da jornada e estipula uma transição de dois anos para o novo regime. Se o texto fosse aprovado hoje, em 2027 seriam 42 horas semanais de trabalho, e 40 horas a partir de 2028.