Rio de Janeiro, 19 de Janeiro de 2026

Lula é aconselhado a se afastar de conselho proposto por Trump

Lula avalia a participação do Brasil em conselho proposto por Trump para a paz em Gaza, mas assessores recomendam cautela devido ao desprezo às regras da ONU.

Segunda, 19 de Janeiro de 2026 às 20:29, por: CdB

O principal argumento contra a proposta do presidente norte-americano, Donald Trump situa-se, exatamente, no desprezo às regras das Nações Unidas (ONU) para a região.

Por Redação – de Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda avalia se o Brasil participará de um conselho internacional voltado à busca de uma solução para a guerra na Faixa de Gaza. Lula, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil, nesta manhã, tem sido aconselhado por assessores graduados no Itamaraty a permanecer fora do grupo proposto por Washington.

Lula é aconselhado a se afastar de conselho proposto por Trump | Abrigos improvisados em meio à destruição de Gaza
Abrigos improvisados em meio à destruição de Gaza

O principal argumento contra a proposta do presidente norte-americano, Donald Trump situa-se, exatamente, no desprezo às regras das Nações Unidas (ONU) para a região e a formação de uma agregação de países reunidos sob uma taxa fiduciária de US$ 1 bilhão para integrar o conselho permanente da associação.

A avaliação, no entanto, reúne critérios políticos e diplomáticos, que incluem desde os objetivos concretos do grupo até os impactos financeiros e estratégicos de uma eventual participação brasileira. Oficialmente, o governo brasileiro adiantou que será essencial esclarecer quais países fariam parte do conselho, qual a posição dessas nações em relação ao conflito e se as decisões adotadas poderão gerar custos ao Brasil.

 

Conflito

Outros diplomatas ouvidos pelo Palácio do Planalto têm dito que o cenário ainda é muito inconsistente. De acordo com outro interlocutor, em conversa com repórteres da mídia conservadora, o país deverá dialogar com os pares que tenham peso político e influência direta sobre o conflito no Oriente Médio.

— Trocar ideias com outros países relevantes na questão, é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância — disse a fonte.

A proposta do chamado “Conselho de Paz” foi anunciada por Trump, como parte da segunda fase de um plano apoiado por Washington para encerrar a guerra em Gaza. Ao divulgar a iniciativa, o mandatário norte-americano afirmou nas redes sociais: “Posso dizer com certeza que é o maior e mais prestigiado conselho já reunido em qualquer momento e lugar”.

 

‘Carnificina’

A Casa Branca avaliza o conselho como fórum de debates sobre temas como fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução do território, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital internacional. A proposta, no entanto, ainda não foi detalhada, o que reforça a cautela do governo brasileiro.

A discussão sobre a adesão do Brasil ocorre em um contexto de posições públicas firmes do presidente Lula sobre o conflito. Em discursos no país e no exterior, o chefe do Executivo acusou o governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de praticar atos de genocídio contra o povo palestino. Segundo Lula, Israel pôs em prática uma tentativa de “extermínio do povo palestino” e de “aniquilamento de seu sonho de nação”.

O chanceler Mauro Vieira, por sua vez, mantém um tom crítico em relação às ações militares de Israel em Gaza. Ele classificou a ofensiva como uma “carnificina” e afirmou que, embora seja legítimo Israel buscar a defesa de sua população, os ataques contra civis palestinos “já ultrapassaram há muito tempo qualquer limite de proporcionalidade”.

Edições digital e impressa