Na campanha eleitoral, entre agosto e outubro, a previsão é de que o Senado realize apenas sessões virtuais, sem debater e votar temas considerados sensíveis, o que adia a discussão da PEC para novembro.
Por Redação – de Brasília
Presidente do Congresso, o senador Davi Alcolumbre (UB-AP) decidiu, nesta quinta-feira, manter paralisada a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A aliados, o parlamentar adiantou que a matéria não deverá ser votada antes das eleições de deste ano.

A mídia conservadora apurou que o senador tem se mostrado insatisfeito com o relacionamento junto ao Palácio do Planalto e aguarda uma conversa pessoal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Enquanto isso, o recesso parlamentar terá início em 17 de julho e, até lá, não há expectativa de qualquer deliberação sobre a PEC.
Na campanha eleitoral, entre agosto e outubro, a previsão é de que o Senado realize apenas sessões virtuais, sem debater e votar temas considerados sensíveis, o que adia a discussão da PEC para novembro.
Análise
Para justificar a demora na apreciação da Proposta, Alcolumbre solicitou, nesta manhã, uma análise técnica para viabilizar alterações na PEC da escala 6×1 com o objetivo de eliminar o período de transição e permitir que a nova regra passe a valer imediatamente após a promulgação, em articulação que pode acelerar a tramitação da medida.
A análise, segundo Alcolumbre, visa ajustar o texto aprovado na Câmara, em maio último, para que a mudança seja aplicada sem prazo de teste, por meio de uma Emenda de Redação. O mecanismo evitaria o retorno da proposta à análise dos deputados.
O estudo foi encomendado à assessoria técnica do Senado após reunião de Alcolumbre com líderes sindicais, realizada na véspera. A sinalização do presidente da Casa surpreendeu positivamente representantes dos trabalhadores, que não esperavam o apoio ao fim da transição.
Conta gotas
Presidente da CUT, o sindicalista Sergio Nobre avaliou de forma positiva a possibilidade de implementação imediata da medida.
— Tem todas as condições para isso, até para as empresas implementarem isso de uma vez só. É muito mais racional fazer de uma vez do que a conta gotas — afirmou.
A proposta também é acompanhada de perto por integrantes do governo, que veem na medida um potencial impacto político e social relevante. O tema é considerado uma das apostas do Executivo para ampliar a popularidade da agenda trabalhista, diante da forte repercussão entre os trabalhadores brasileiros.