Segundo o governo britânico, o navio Smyrtos foi abordado por comandos dos Royal Marines e agentes especializados da Agência Nacional de Combate ao Crime.
Por Redação, com RFI – de Londres
As forças britânicas interceptaram neste domingo, no Canal da Mancha, um petroleiro apontado como integrante da chamada “frota fantasma” da Rússia. A operação foi realizada em estreita cooperação com a França, informou o ministério da Defesa do Reino Unido.

Segundo o governo britânico, o navio Smyrtos foi abordado por comandos dos Royal Marines e agentes especializados da Agência Nacional de Combate ao Crime, na primeira operação desse tipo liderada pelo Reino Unido. Londres afirma que a embarcação fazia parte da rede utilizada por Moscou para contornar sanções internacionais e continuar financiando a guerra na Ucrânia.
A operação começou nas primeiras horas da manhã e durou cerca de seis horas. Ela contou com apoio aéreo, incluindo helicópteros Chinook, e de embarcações da Marinha britânica, entre elas a fragata HMS Sutherland.
O petroleiro será transferido para uma área de ancoragem na costa sul da Inglaterra, onde permanecerá sob vigilância das autoridades.
O ministro da Defesa britânico, Dan Jarvis, afirmou que a Rússia depende da chamada frota fantasma para financiar o conflito na Ucrânia e que a interceptação representa um golpe contra a capacidade de Moscou de sustentar a guerra. Segundo ele, a ação foi conduzida em estreita coordenação com as autoridades francesas.
Jarvis acrescentou que operações desse tipo, realizadas em parceria com aliados internacionais, atingem diretamente os recursos que alimentam a ofensiva russa e reduzem a capacidade de Moscou de ameaçar a segurança europeia e internacional.
Sanções
Desde a invasão da Ucrânia, em 2022, o Reino Unido impôs sanções a centenas de embarcações suspeitas de integrar a frota fantasma russa. Em geral, trata-se de petroleiros antigos, com estruturas de propriedade pouco transparentes, utilizados para driblar embargos ocidentais. Esses navios estão proibidos de acessar portos e serviços britânicos.
O primeiro-ministro Keir Starmer afirmou que a operação representa “um novo golpe contra a Rússia” e serve de aviso àqueles que ajudam a financiar a guerra do presidente Vladimir Putin.
Em março, o governo britânico autorizou suas forças de segurança a abordar e apreender embarcações da frota fantasma que transitassem por águas sob jurisdição do Reino Unido.
A operação ocorre após os Estados Unidos flexibilizarem algumas restrições ao petróleo russo, numa tentativa de conter a alta dos preços da energia provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Nos últimos meses, França, Bélgica, Finlândia e outros países europeus também apreenderam embarcações suspeitas de integrar a frota fantasma russa.
Ofensiva híbrida
Além de burlar sanções, esses navios são suspeitos de terem provocado danos a cabos submarinos no mar Báltico. O governo britânico anunciou que pretende apresentar uma nova legislação para proteger infraestruturas críticas de comunicação submarina contra possíveis atos de sabotagem por parte da Rússia e de outros países considerados hostis.
Desde 2023, uma série de incidentes no mar Báltico resultou em danos a cabos submarinos de telecomunicações e linhas de transmissão de energia. Especialistas militares e líderes europeus afirmam que Moscou intensificou uma estratégia de “guerra híbrida” na região, que hoje é cercada quase integralmente por países membros da Otan.
Em abril, o então ministro da Defesa John Healey afirmou que as Forças Armadas britânicas monitoraram e afastaram três submarinos russos que operavam no Atlântico Norte, próximos a cabos de comunicação e oleodutos submarinos considerados estratégicos.
Atualmente, cerca de 64 grandes cabos submarinos de telecomunicações conectam o Reino Unido ao restante do mundo.