Rio de Janeiro, 27 de Outubro de 2026

Líderes nórdicos desafiam posição europeia ao ligar para Putin

Rompendo o padrão diplomático europeu, os líderes de Finlândia e Noruega conversaram com Vladimir Putin para pedir o fim da guerra na Ucrânia, além de...

Terça, 27 de Outubro de 2026 às 12:55, por: CdB

Rompendo o padrão diplomático europeu, os líderes de Finlândia e Noruega conversaram com Vladimir Putin para pedir o fim da guerra na Ucrânia, além de falarem com Volodymyr Zelensky.

Por Redação, com Reuters – de Moscou

Os líderes da Finlândia e da Noruega ligaram nesta terça-feira ‌para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, para convencê-lo a pôr fim à guerra na Ucrânia, rompendo com uma prática de longa data entre os líderes da Europa Ocidental de evitar contato direto com o Kremlin.

Vladimir Putin conversa por telefone em meio a mudanças na postura diplomática de países nórdicos em relação à Rússia

A ligação telefônica do presidente finlandês Alexander Stubb e do primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Stoere foi uma tentativa de influenciar o processo diplomático em um momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, mudou sua posição a favor da Rússia. ⁠As relações dos EUA com a Ucrânia atingiram seu ponto mais baixo em 18 meses.

Os líderes nórdicos conversaram por telefone ‌com Putin e, em seguida, com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, segundo um assessor de Zelensky.

– A conversa (com Putin) foi franca e substantiva. Somos países vizinhos da Rússia. O desfecho desta guerra terá um impacto direto sobre nossa ‌segurança e a segurança europeia em geral. Para pôr fim à guerra, ‌são necessárias discussões diretas – afirmou Stubb em uma declaração conjunta com Stoere.

O norueguês acrescentou: “A guerra acarreta enormes ⁠custos humanos e materiais. O sofrimento e a destruição afetarão gerações. Na conversa, enfatizamos a importância da redução da tensão.”

Ambos os líderes enfatizaram seu forte apoio à Ucrânia, que, segundo eles, continuará.

Kremlin

O comunicado do Kremlin sobre a ligação não sugeriu que Putin tivesse dado qualquer sinal de concessão em relação às posições anteriormente declaradas.

“Foi enfatizado que a conquista de uma paz justa e duradoura só é possível se os interesses legítimos da Federação Russa ‌forem levados em conta de forma plena e incondicional”, afirmou o Kremlin.

“Ao mesmo tempo, chamou-se a atenção para as políticas de ‌confronto dos países da UE e ⁠da Otan, que estão contribuindo ⁠para o prolongamento das hostilidades.”

Os líderes da Europa Ocidental têm, em sua maioria, evitado o contato com Putin, ao mesmo tempo ⁠em que acumulam sanções contra Moscou, desde que a Rússia iniciou ‌a guerra na Ucrânia, em fevereiro de ‌2022.

Mas essa postura os deixou à margem, já que os esforços para pôr fim à guerra têm sido liderados por Trump, que é visto em muitas capitais da União Europeia como imprevisível, errático e propenso a se aliar a Putin em detrimento da Ucrânia.

Essa percepção foi reforçada por acordos firmados neste mês, nos ⁠quais Putin concordou em fornecer diesel russo aos EUA e Trump flexibilizou as sanções contra a Rússia, ao mesmo tempo em que afirmou que era hora de os ucranianos substituírem Zelenskiy como líder.

A Ucrânia também reclamou da interrupção no compartilhamento de informações de inteligência pelos EUA e nos serviços de internet via satélite dos quais suas forças armadas dependem.

Dinamarca

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, criticou ‌a decisão da Finlândia e da Noruega de dialogar com Putin, acrescentando que não via sinais de que a Rússia queira a paz.

– Acho que a Europa deveria permanecer unida, em vez de agir sozinha – disse Frederiksen à ⁠emissora pública DR.

Stubb e Stoere participaram da ligação na qualidade de líderes de seus respectivos países e não falaram em nome da Europa como um todo, afirmaram, acrescentando que as duas nações nórdicas continuarão com seu apoio de longa data à Ucrânia.

A Rússia tem frequentemente acusado os governos europeus de alimentar a guerra ao armar a Ucrânia e recusar negociações diretas.

Ela contrastou a postura dos líderes da Europa Ocidental com a de Trump, que se envolveu com Putin e tentou — até agora sem sucesso — intermediar um acordo de paz.

Uma fonte próxima ao Kremlin disse à agência inglesa de notícias Reuters que o presidente francês Emmanuel Macron foi o último líder da UE a falar com Putin por telefone. A ligação, que ocorreu em julho deste ano, não foi divulgada e não produziu nenhum resultado, segundo a fonte.

A fonte disse que Putin afirmou a Stubb e Stoere que a Rússia não cederia em relação ao seu objetivo de conquistar toda a região de Donbas, na Ucrânia. Os europeus responderam dizendo que é necessária uma paz “justa”.

Edições digital e impressa