O pleito foi vencido pelo partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, de centro-direita, que conquistou 137 das 199 cadeiras no Parlamento.
Por Redação, com ANSA – de Budapeste
Diversos líderes mundiais se manifestaram sobre o resultado das eleições na Hungria, que encerraram 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán, um dos principais nomes da extrema direita.

O pleito foi vencido pelo partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, de centro-direita, que conquistou 137 das 199 cadeiras no Parlamento.
Após o resultado, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, agradeceu ao “amigo Orbán pela intensa colaboração ao longo dos anos”. “Sei que ele continuará servindo ao país mesmo na oposição”, enfatizou ela, parabenizando simultaneamente Magyar por sua “clara vitória eleitoral” na Hungria.
Já o vice-premiê e ministro de Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, parabenizou a oposição pela vitória, mas destacou o legado de Orbán. Segundo ele, resta saber se o novo governo conseguirá alcançar resultados semelhantes aos obtidos pelo ex-premiê.
– Orbán se viu em um contexto internacional complicado, com Bruxelas bloqueando seus fundos; bilhões de euros foram bloqueados porque ele disse: ‘Não deixarei entrar nem um imigrante na Hungria’. Isso lhe custou a vitória, então boa sorte a quem quer que tenha vencido. – destacou o político italiano.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também reagiu ao resultado do pleito, destacando que “o coração da Europa está batendo mais forte na Hungria”.
– A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria. Um país está retomando seu caminho europeu. A União está se fortalecendo – escreveu ela em seu perfil no X.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a decisão dos eleitores húngaros será acatada por Moscou e avaliou como “improvável” que a mudança política no país influencie significativamente o conflito entre Rússia e Ucrânia.
– A Hungria fez sua escolha. Respeitamos essa escolha – disse Peskov, acrescentando que não espera impactos relevantes no cenário geopolítico atual.
Rússia
O representante do Kremlin também reforçou que a Rússia mantém interesse em desenvolver boas relações com a Hungria e com outros países da União Europeia. Segundo ele, apesar das dificuldades atuais nas relações com o bloco, Moscou continua aberta ao diálogo.
– Estamos interessados em construir boas relações com a Hungria, assim como com todos os países europeus. Sabemos que, infelizmente, a reciprocidade ainda não é possível com os países europeus, mas a Rússia está aberta ao diálogo – declarou Peskov.
Na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que conversou com Magyar e o parabenizou pela vitória: “A França saúda a vitória da participação democrática, o compromisso do povo húngaro com os valores da União Europeia e o compromisso da Hungria com a Europa”.
Por sua vez, a líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, elogiou a postura de Orbán ao reconhecer a derrota e alertou para o que considera uma influência excessiva da União Europeia sobre os países-membros.
Outros líderes, como Andrej Babis, da República Tcheca, e Robert Fico, da Eslováquia, parabenizaram Magyar e manifestaram disposição para cooperar com o novo governo húngaro.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, classificou o resultado como uma “pesada derrota” para a direita húngara, afirmando que o pleito envia um sinal claro contra o populismo no cenário internacional.
– Foi um bom dia – disse o político da Alemanha em coletiva de imprensa, em referência à vitória de Magyar.
A eleição marca uma mudança significativa na política húngara após mais de uma década e meia sob a liderança de Orbán, conhecido por suas posições nacionalistas e por frequentes atritos com instituições europeias. O novo governo agora enfrenta expectativas elevadas tanto no plano interno quanto nas relações com a UE.