Israel amplia ofensiva terrestre e ordena evacuação em massa no Sul do Líbano, enquanto confrontos com o Hezbollah se intensificam, seis semanas após acordo de cessar fogo.
Por Redação, com DW – de Beirute
A bandeira de Israel tremulava neste domingo sobre a fortaleza medieval de Beaufort, uma construção de 900 anos no sul do Líbano, enquanto o país emitia alertas para que a população evacuasse a região antes da intensificação das operações terrestres israelenses.

A tomada do castelo ocorreu após dias de ataques aéreos e combates intensos em vilarejos vizinhos, onde tropas israelenses enfrentaram membros do Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã. Foi a incursão mais profunda do país em 26 anos, segundo informou o Exército israelense.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as tropas capturaram o histórico ponto estratégico, que oferece ampla vista do sul do Líbano, à medida que ampliavam suas operações terrestres. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, condenou a ação como uma política de “terra arrasada”.
A captura representa um avanço significativo na mais recente guerra entre Israel e Hezbollah, iniciada em 2 de março, quando o grupo lançou foguetes contra o norte de Israel, dois dias após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã.
O avanço israelense ocorreu apesar do cessar-fogo em vigor desde 17 de abril e poucos dias antes de uma nova rodada de negociações diretas entre Líbano e Israel, marcada para 2 e 3 de junho, no Departamento de Estado dos EUA.
Israel e Hezbollah se acusam diariamente de violar o cessar-fogoe justificam seus ataques com base nas supostas infrações do outro lado.
Fortaleza histórica e estratégica
A fortaleza de Beaufort, situada no alto das colinas verdes do Líbano e com vista para o rio Litani, tem sido um ativo militar estratégico para diversos exércitos ao longo de quase mil anos. As tropas israelenses já haviam capturado o castelo em 1982, mantendo o controle até a retirada do Líbano, em 2000.
Durante a guerra anterior entre Israel e Hezbollah, em 2024, a Unesco concedeu proteção reforçada a 34 sítios culturais no Líbano, incluindo o castelo de Beaufort, para protegê-los de danos.
O castelo fica a poucos quilômetros ao norte da fronteira com Israel e domina amplas áreas do sul do Líbano e do norte de Israel. Em árabe, é chamado de castelo Al-Shaqif, um termo de origem siríaca que faz referência ao terreno rochoso imponente.
O Exército israelense informou, em comunicado, que lançou alguns dias atrás uma operação na crista de Beaufort e no vale do Suluki, mais ao sul, com o objetivo de desmontar a infraestrutura do Hezbollah e eliminar ameaças diretas à população civil israelense.
A nota acrescenta que as forças estão prontas “para ampliar a operação, se necessário”.
Israel amplia invasão no Líbano
Nos últimos dias, Israel expandiu o alcance de suas operações, enviando tropas além do rio Litani, que até então funcionava como uma fronteira aos conflitos, e exigindo que moradores deixem grande parte do sul do Líbano.
Israel designou a área entre o Litani e o rio Zahrani como zona de combate. Alguns moradores já deixaram a região diante dos intensos bombardeios recentes, mas há presença de civis em vários locais.
As tropas israelenses avançam há dias em vilarejos próximos ao castelo de Beaufort. Agora estão a cerca de 5 quilômetros da cidade de Nabatiyeh, um importante centro no sul do país, e ordenaram a evacuação de seus moradores, assim como dos habitantes da cidade costeira de Tiro, a quarta maior do Líbano, e arredores.
Trocas de ataques
Durante a madrugada, o Hezbollah afirmou ter realizado dois ataques contra tropas israelenses e um tanque Merkava na cidade de Bayada, no sudoeste, perto da fronteira. Nos últimos dias, o grupo declarou ter enfrentado forças israelenses em várias localidades ao norte do rio, nas proximidades de Nabatiyeh e do castelo histórico.
A agência estatal libanesa National News Agency informou sobre ataques aéreos em diferentes vilarejos do sul do país, relatando vítimas, sem detalhar números. No sábado, o Hezbollah disparou salvas de foguetes contra o norte de Israel, incluindo a cidade de Kiryat Shmona, a maior da região.
O uso, pelo Hezbollah, de drones de fibra óptica de difícil detecção tem sido letal para as forças israelenses, que enfrentam dificuldades para reagir. De sábado para domingo, foram emitidos quase 200 alertas para civis no norte de Israel sobre a presença de drones e mísseis, segundo o Exército israelense.
A atual rodada de combates entre Israel e Hezbollah já deixou 3.350 mortos no Líbano e mais de 1 milhão de deslocados.
De acordo com o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ao menos 25 soldados israelenses e um contratado da Defesa morreram no sul do Líbano ou em áreas próximas, incluindo um no sábado. Dois civis também morreram no norte de Israel.