Ministros israelenses, criticando a fragilidade do pacto entre as partes, defenderam que o acordo fosse levado à apreciação do gabinete.
Por Redação, com ANSA – de Beirute
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que não submeterá à votação a versão mais recente do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos com o Líbano enquanto o Hezbollah não aceitar seus termos.

Ministros israelenses, criticando a fragilidade do pacto entre as partes, defenderam que o acordo fosse levado à apreciação do gabinete. No entanto, Netanyahu recusou-se a convocar uma votação, afirmando aos integrantes de seu governo que “não há acordo no momento”.
Paralelamente, recentes ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Líbano deixaram mais de 10 mortos, especialmente na cidade costeira de Tiro, onde sete pessoas morreram.
Já em Anqun, cidade libanesa localizada no distrito de Sidon, foi registrada uma saída em massa de moradores após uma ordem de evacuação emitida por Israel. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram longos comboios de veículos transportando famílias inteiras em direção a Sidon, a cerca de 40 quilômetros ao sul de Beirute.
Por fim, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um apelo para ampliar em mais de US$ 350 milhões a ajuda humanitária destinada ao Líbano, onde, segundo a entidade, “as necessidades humanitárias estão aumentando drasticamente” a cada dia em razão do conflito.
Acordo de paz
Na quinta-feira, Israel e Líbano chegaram a um acordo para renovar o cessar-fogo e estabelecer zonas de segurança em território libanês sem a presença do grupo xiita Hezbollah.
A decisão foi divulgada, ao final do segundo dia de negociações entre representantes dos dois países, realizadas em Washington com mediação dos Estados Unidos.
Segundo o comunicado conjunto, o entendimento busca reduzir as hostilidades na fronteira e criar condições para uma estabilização duradoura da região. No entanto, poucas horas após o anúncio, a mídia oficial libanesa relatou novos ataques israelenses no sul do Líbano.
A agência estatal NNA informou que drones israelenses atingiram estradas em diferentes localidades do sul do país, causando pelo menos um ferido.
O acordo também enfrenta resistência interna. Em comunicado divulgado pela imprensa internacional, o Hezbollah rejeitou formalmente os termos negociados e afirmou ter comunicado sua posição ao presidente libanês, Joseph Aoun, defendendo que qualquer entendimento futuro deve começar pela retirada completa das forças israelenses do território libanês.
Além disso, o Hezbollah declarou que o retorno dos deslocados internos, a reconstrução das áreas afetadas pelos combates e a libertação de prisioneiros libaneses são condições essenciais para um acordo definitivo.
Para o líder do Hezbollah, Naim Qassem, classificou o acordo negociado em Washington como uma “capitulação” e uma “derrota”, pedindo ao governo libanês que interrompa as negociações com Israel.
Em meio às negociações, a situação no sul do Líbano foi agravada pela morte de um integrante da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).
A missão confirmou que um capacete azul morreu após sofrer ferimentos graves quando projéteis de morteiro atingiram uma posição próxima à cidade de Marjayoun. Outros dois militares da ONU ficaram feridos e seguem recebendo tratamento médico.
O Ministério da Defesa da Sérvia identificou a vítima como o sargento-major Milovan Jovanovic, que foi socorrido em um hospital da base da ONU antes de ser transferido para um centro médico em Beirute, onde não resistiu aos ferimentos.
As circunstâncias do ataque permanecem obscuros. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que uma análise da trajetória dos projéteis indica que os disparos partiram do Hezbollah. No entanto, o grupo ainda não se pronunciou sobre a acusação.
Paralelamente, o presidente do Líbano classificou o acordo como “a última chance” para evitar uma ampliação do conflito. Segundo ele, as negociações em Washington foram extremamente difíceis e chegaram a ser interrompidas temporariamente antes de serem retomadas com a intervenção do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
Aoun afirmou que a implementação do acordo poderá começar em até 24 horas após a aprovação final e o recebimento das garantias necessárias por todas as partes envolvidas.
Enquanto as negociações avançam, a situação humanitária permanece crítica. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 127 mil pessoas continuam deslocadas em abrigos coletivos em todo o Líbano.
A organização informou ainda que centenas de ataques contra instalações de saúde foram registrados desde o início da escalada do conflito, resultando na morte e no ferimento de profissionais da área. O relatório também aponta um aumento significativo dos casos de diarreia aguda entre a população deslocada.
Segundo os dados divulgados pela OMS, o conflito já deixou milhares de mortos e feridos no país, além de provocar um intenso fluxo migratório para a Síria.
Apoio
O governo italiano saudou a renovação do cessar-fogo, pediu que todas as partes cumpram os compromissos assumidos e voltou a apelar pela paz.
Em comunicado, a primeira-ministra Giorgia Meloni também condenou o ataque que matou o soldado sérvio da Unifil e reiterou “o apoio da Itália à soberania e à integridade territorial do Líbano, mantendo o seu compromisso com a paz e a estabilidade na região.”
Já o Ministério das Relações Exteriores da Itália também descartou qualquer envolvimento italiano no incidente, ressaltando que o ataque ocorreu em um setor onde não há presença de militares italianos.
De acordo com o chanceler italiano, Antonio Tajani, a diplomacia continua sendo o único caminho para uma paz duradoura. Ele defendeu tanto o fim das ações militares do Hezbollah quanto a contenção de uma nova escalada por parte de Israel.