Apesar de anúncio de Trump sobre possível acordo, Israel segue atacando o sul do Líbano enquanto Hezbollah revida.
Por Redação, com RFI – de Jerusalém
Apesar do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível acordo para interromper as hostilidades entre Israel e o Hezbollah, o cenário no Oriente Médio continua marcado por violência e incerteza. Nesta terça-feira, 2, Israel realizou novos ataques aéreos no sul do Líbano, enquanto o Hezbollah disparou projéteis contra o norte do território israelense, evidenciando a fragilidade de uma trégua que ainda não foi oficialmente confirmada por ambas as partes.

Segundo autoridades libanesas, os termos discutidos preveem que o Hezbollah interrompa os ataques contra Israel em troca do fim dos bombardeios israelenses no sul de Beirute, reduto histórico do grupo. No entanto, os confrontos continuam, alimentando dúvidas sobre a viabilidade de um acordo duradouro. A escalada recente incluiu a incursão terrestre mais profunda das forças israelenses em território libanês nas últimas duas décadas.
No domingo, tropas israelenses capturaram o castelo de Beaufort, uma posição estratégica com vista para grande parte do sul do Líbano. A fortaleza já havia sido utilizada por Israel durante a ocupação da região encerrada em 2000. A movimentação provocou reações internacionais. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que “não há justificativa” para uma permanência prolongada ou para uma ocupação intensificada de tropas israelenses em território libanês.
No campo diplomático, Trump utilizou as redes sociais para defender o fim definitivo do conflito, afirmando que deseja que os combates terminem “para sempre”. O presidente americano também declarou que não haverá envio de tropas a Beirute e que militares que estariam a caminho já retornaram. Trump classificou como “muito produtiva” uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Entretanto, segundo o portal Axios, nos bastidores o presidente americano teria demonstrado forte insatisfação com o líder israelense, avaliando que suas ações poderiam comprometer as negociações em andamento com o Irã.
Netanyahu, por sua vez, reiterou que Israel continuará atingindo alvos em Beirute caso o Hezbollah mantenha ataques contra cidades e civis israelenses. A declaração reforça a percepção de que ainda há obstáculos significativos para a consolidação de qualquer entendimento entre as partes.
Enquanto a presidência do Líbano busca ampliar a trégua para todo o território nacional e a embaixada libanesa em Washington sinaliza uma aceitação da proposta pelo Hezbollah, o grupo ainda não divulgou uma confirmação oficial. O Irã, principal aliado regional do Hezbollah, insiste que o Líbano seja incluído em qualquer acordo mais amplo envolvendo Washington, mas suspendeu o diálogo direto com os Estados Unidos em razão da ofensiva israelense.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que todas as partes respeitem a interrupção das hostilidades e ressaltou a importância da manutenção de forças internacionais de paz na região após o encerramento do atual mandato da missão, previsto para o fim do ano.
Custo humano
O custo humano do conflito continua aumentando. Desde 2 de março, os ataques israelenses provocaram a morte de pelo menos 3.433 pessoas no Líbano, segundo o Ministério da Saúde libanês. Do lado israelense, o número de militares mortos chegou a 27 no mesmo período. A ameaça de novos bombardeios provocou pânico entre moradores do sul de Beirute, gerando congestionamentos e deslocamentos em massa de pessoas que tentavam deixar áreas consideradas de risco.
Embora uma trégua tenha sido estabelecida em 17 de abril, ela jamais foi plenamente respeitada. Israel e Hezbollah continuam trocando acusações de violações diárias, utilizando esses episódios para justificar novas ações militares. Diante da persistência dos confrontos, novas rodadas de negociações mediadas pelos Estados Unidos estão previstas para ocorrer entre terça e quarta-feira, em uma tentativa de evitar uma escalada ainda maior do conflito.