Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Intelectuais protestam contra intervenção dos EUA nas eleições brasileiras

Entre os signatários estão o músico Chico Buarque; o ex-jogador de futebol Raí; os economistas Thomas Piketty, Philippe Aghion e Joseph E. Stiglitz – os dois últimos são vencedores do Nobel em economia –; e intelectuais franceses e brasileiros, como Gabriel Feltran, Michel Löwy e Jean Tible.

Quarta, 30 de Setembro de 2026 às 18:14, por: CdB

Entre os signatários estão o músico Chico Buarque; o ex-jogador de futebol Raí; os economistas Thomas Piketty, Philippe Aghion e Joseph E. Stiglitz – os dois últimos são vencedores do Nobel em economia –; e intelectuais franceses e brasileiros, como Gabriel Feltran, Michel Löwy e Jean Tible.

Por Redação, com Le Monde – de Paris

O manifesto assinado por intelectuais e artistas, que aponta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras com a cumplicidade de Flávio Bolsonaro (PL), ganhou as páginas do secular diário francês Le Monde, nesta quarta-feira. Sob o título: ‘No Brasil, os Estados Unidos procuram influenciar a eleição presidencial, com a cumplicidade de um dos candidatos, Flávio Bolsonaro’, o texto é assinado por 30 artistas e intelectuais de peso no cenário internacional.

O manifesto evidencia a preocupação com o apoio deDonald Trump a candidatos alinhados à extrema direita.

Entre os signatários estão o músico Chico Buarque; o ex-jogador de futebol Raí; os economistas Thomas Piketty, Philippe Aghion e Joseph E. Stiglitz – os dois últimos são vencedores do Nobel em economia –; e intelectuais franceses e brasileiros, como Gabriel Feltran, Michel Löwy e Jean Tible.

A declaração cita episódios em que o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro — ou filho ’01’ como também é conhecido —, questionou a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro e diz que isso é uma “preparação metódica para uma contestação eleitoral, independentemente de vitória ou derrota”.

Prisão

De acordo com os manifestantes, uma imensa pressão vinda de Washington ainda pesa sobre o processo eleitoral brasileiros. Os signatários citam a retirada dos vistos de autoridades brasileiras e as tarifas impostas pelo governo Donald Trump ao Brasil em resposta ao processo contra o ex-mandatário neofascista Jair Bolsonaro (PL), condenado a mais de 27 anos e três meses de prisão por liderar o golpe de Estado fracassado no 8 de Janeiro.

“Uma potência estrangeira procura abertamente influenciar o resultado de uma eleição soberana, com a participação ativa de um dos candidatos. Esse precedente, se não for fortemente denunciado, não ficará restrito ao Brasil”, cita o documento.

De acordo com os subscritores, as eleições não são apenas a escolha de um presidente, mas a decisão “se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia”. Em seguida, lembra a má condução da pandemia de covid-19 no governo Bolsonaro.

Relatório

A declaração termina por convocar “os meios de comunicação, os responsáveis políticos, as instituições europeias e a sociedade civil francesa” a acompanhar o processo eleitoral, e rejeitar qualquer interferência estrangeira, além de apoiar a sociedade civil e as instituições brasileiras.

A interferência dos EUA nas eleições brasileiras também foi alvo de um relatório de autoridades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que apontou supostas interferências estrangeiras antes das eleições, entregue durante a visita das delegações da França e da Alemanha a Brasília no início deste mês, segundo fontes e documentos consultados pela agência inglesa de notícias Reuters.

Conforme um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes, membros da Abin teriam afirmado que a intervenção norte-americana iria “da instrumentalização do sistema jurídico à interferência admitida abertamente”. A visita, até então não divulgada, evidencia a crescente preocupação dos dois lados do Atlântico com os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para apoiar candidatos alinhados à extrema direita.

Edições digital e impressa