Em nota, a farmacêutica afirmou que “negocia com um dos laboratórios mais tradicionais e qualificados do país”. Na Índia, os estudos estão na fase 3, que devem determinar qual a eficácia da vacina em proteger humanos contra formas de manifestação da covid-19.
Por Redação, com agências internacionais - de Nova Délhi
A farmacêutica indiana Zydus Cadila planeja encerrar até abril próximo os testes clínicos na Índia de um novo imunizante contra a Covid-19 – a vacina Zycov-D – e tem tratativas com um laboratório brasileiro para, em breve, trazer doses da vacina ao Brasil. O laboratório visa “trabalhar de perto com as autoridades sanitárias para ajudar as pessoas do Brasil a acessarem a vacina, Em breve iremos entregar os dados dos testes para as autoridades e aguardamos suas orientações sobre o caminho a seguir”, disse a empresa, em nota distribuída nesta segunda-feira.
Em nota, a farmacêutica afirmou que “negocia com um dos laboratórios mais tradicionais e qualificados do país”. Na Índia, os estudos estão na fase 3, que devem determinar qual a eficácia da vacina em proteger humanos contra formas de manifestação da covid-19. Os testes clínicos com a vacina foram iniciados em janeiro e contam com a participação de 30 mil voluntários.
Imunizante
A expectativa do laboratório é produzir 150 milhões de doses da vacina por ano, com espaço para aumentar a produção conforme a demanda. Caso a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprove o uso da vacina, o laboratório diz ser capaz de “entregar milhões de doses” ao Brasil.
A vacina Zycov-D pode ser a primeira baseada em DNA a chegar ao mercado. Entre as vantagens deste tipo de imunizante, a vacina independe do armazenamento em freezers, podendo ser transportada à temperatura ambiente e armazenada desta forma por meses, informou o fabricante.
De acordo com os testes, a vacina permanece estável a 23ºC por três meses, e, para estoque por período mais prolongado, são necessárias temperaturas entre 2ºC a 8ºC. Outros estudos com vacinas baseadas em DNA estão em caminho no mundo para o tratamento de outras doenças como tuberculose, antraz, malária, aids e, inclusive, câncer.
Alívio inesperado
Ao todo, o laboratório recomenda a aplicação de três doses para que a eficácia máxima seja alcançada, ainda que o imunizante desencadeie uma “resposta boa” a partir da segunda dose. Até o momento não há um preço definido por dose, porém o laboratórios afirma que um “valor razoável” será definido próximo ao lançamento da vacina. “A Zydus acredita em fornecer terapias, diagnósticos e vacinas acessíveis, especialmente durante esta pandemia”, afirmou.
A Índia acelera os testes com a nova vacina no momento em que a pandemia cede, rapidamente, na população de mais de 1 bilhão de nacionais. Por lá, a carga da covid atingiu o pico em novembro, no principal hospital de Nova Délhi com cerca de 450 pacientes internados e outros 50 a 100 em uma lista de espera por leitos.
Mas os médicos na área da capital que tratam a covid estão tendo agora um alívio inesperado. O número diário de novas infecções na capital caiu acentuadamente nas últimas semanas. O hospital Medanta tem apenas 25 pacientes de covid hoje, e outros hospitais da cidade também relatam muitos leitos vazios nas alas destinadas à pandemia.
Economia
A tendência, no entanto, vai além da capital. No plano nacional, as novas infecções confirmadas de coronavírus na Índia caíram precipitadamente, de quase 100 mil novas infecções por dia em meados de setembro para uma média de 13 mil a 14 mil por dia na semana passada. Ao mesmo tempo, pesquisas de saúde indicam que pode ter havido muito maior exposição do público ao vírus do que se percebia antes.
Depois que a Índia detectou suas primeiras centenas de infecções pelo coronavírus, em março do ano passado, o primeiro-ministro Narendra Modi impôs um lockdown draconiano em todo o país, esperando romper a cadeia de transmissão viral e conter o patógeno.
Com o transporte público suspenso durante meses e os consumidores limitados a comprar comida, remédios e produtos de limpeza, a economia da Índia se contraiu 24% em uma base anual no trimestre de abril a junho.
Infecções
Mas o lockdown não conseguiu conter a disseminação do vírus em um país onde milhões de pessoas vivem aglomeradas, compartilhando banheiros e torneiras comunitárias, em favelas superpopulosas. Das cidades, o patógeno aparentemente foi levado para o interior, conforme trabalhadores migrantes demitidos voltaram a suas aldeias.
Ao todo, a Índia relatou mais de 10,7 milhões de infecções confirmadas por coronavírus, a segunda conta mais alta no mundo, depois dos Estados Unidos. Mas especialistas em saúde concordam que o total verdadeiro foi muito maior, com a maioria das infecções não reconhecidas ou registradas.
Mortos
A Índia relatou mais de 154 mil mortes pela covid-19. Mas, assim como a contagem real de infecções, o número real de mortos nunca será conhecido, pois a maioria dos indianos ainda morre em casa, sem ter a causa da morte determinada formalmente.
— Nunca saberemos quantas pessoas morreram. Ninguém está contando — admite a microbiologista Gagandeep Kang.
Mesmo levando isso em conta, alguns pesquisadores dizem que o índice de mortalidade por covid na Índia provavelmente não foi tão alto quanto em outras regiões. Um motivo disso poderia ser a relativa juventude da população indiana. Apenas 6,5% dela tem mais de 65 anos, comparada com 20% na Europa.