Em entrevista à imprensa em Paris, Haddad afirmou que os EUA têm posição “muito confortável” em relação ao Brasil já que as trocas comerciais entre os dois países são superavitárias para os norte-americanos.
Por Redação, com ABr – de Paris
Ministro da Fazenda, Fernando Haddad disse nesta terça-feira que o anúncio de ampliação de tarifas de importação pelos Estados Unidos previsto para esta semana causaria estranheza se envolvesse algum tipo de “retaliação injustificável” ao Brasil.

Em entrevista à imprensa em Paris, Haddad afirmou que os EUA têm posição “muito confortável” em relação ao Brasil já que as trocas comerciais entre os dois países são superavitárias para os norte-americanos.
— Nos causaria até uma certa estranheza se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificável, uma vez que nós estamos na mesa de negociação desde sempre com aquele país justamente para que a nossa cooperação seja cada vez mais forte — afirmou Haddad, após reunir-se com o ministro das Finanças da França, Eric Lombard.
Protecionismo
O presidente Donald Trump, que vem prometendo anunciar as taxas recíprocas em 2 de abril, afirmou no domingo que todos os países serão atingidos pelas medidas, afastando expectativas de que o governo dos EUA poderia implementar ações mais direcionadas.
Segundo Haddad, quando a nação mais rica do mundo adota políticas protecionistas, há impacto negativo para a prosperidade global, com risco de menor crescimento e desaceleração da produtividade.
Ainda sobre a questão do ‘tarifaço’, a União Europeia tem um “plano sólido” para retaliar as tarifas impostas e a serem impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora prefira negociar uma solução, disse a chefe executiva da UE, Ursula von der Leyen, nesta terça-feira.
Trabalhadores
Internamente, nos EUA, dois grupos empresariais de Michigan pediram ao presidente dos EUA, Donald Trump, que interrompa seus planos de impor tarifas de 25% sobre veículos e peças importadas, afirmando que isso levaria a aumentos drásticos de preços, interrupções na cadeia de suprimentos e sofrimento no Estado.
“O aumento dos custos causaria desorganização significativa em toda a cadeia de suprimentos e, talvez o mais importante, levaria a aumentos significativos no custo dos veículos para os consumidores norte-americanos”, disse a Câmara Regional de Comércio de Detroit e a MichAuto, uma associação automotiva e de mobilidade.
“Em Michigan, onde um em cada cinco empregos está relacionado ao setor automotivo, a dor sentida pelos cidadãos da classe trabalhadora será profunda”, conclui a nota.