O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, é um dos poucos aliados de Vladimir Putin no continente.
Por Redação, com CartaCapital e DW– de Bruxelas
A União Europeia não poderá adotar novas sanções nesta segunda-feira contra a Rússia devido ao veto da Hungria, confirmou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas.

A Comissão Europeia apresentou aos ministros o 20º pacote de sanções contra a Rússia, em resposta à invasão da Ucrânia, que completa quatro anos na terça-feira. O objetivo era conseguir a aprovação antes do aniversário.
– Ouvimos declarações muito firmes por parte da Hungria. Infelizmente, não vejo realmente como poderiam voltar atrás na posição que defendem nesta segunda – declarou Kallas antes do início de uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da UE.
– Obviamente, fazemos tudo o que é possível para levar adiante este pacote de sanções e conseguir que seja adotado – acrescentou.
A Hungria anunciou no fim de semana a intenção de bloquear a adoção do pacote de sanções enquanto o fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba não for retomado.
O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, afirmou que também bloquearia a aprovação de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 551 bilhões) para a Ucrânia, decidido em dezembro.
As novas sanções que a UE pretendia adotar contra a Rússia eram direcionadas principalmente aos setores bancário e energético.
Bombardeio
Às vésperas de a invasão russa em larga escada completar quatro anos, nesta terça-feira, a Rússia atacou a Ucrânia com uma grande quantidade de mísseis e drones, matando uma pessoa na cidade de Putrivka, na região de Kiev, informou o Serviço de Emergência da Ucrânia no domingo.
Outras oito pessoas, incluindo uma criança, foram resgatadas dos escombros de prédios destruídos, disse o serviço. Cinco delas precisaram ser hospitalizadas, e uma morreu a caminho do hospital.
As autoridades ucranianas, que também informaram que os ataques interromperam o tráfego ferroviário na área ao redor da capital. O ataque causou danos e incêndios em cinco distritos nos arredores de Kiev.
A Rússia também atingiu a infraestrutura de energia na região de Odessa, no sul da Ucrânia, resultando em incêndios significativos, que foram posteriormente extintos, informou o serviço de emergência.
Estrutura de energia
– Esta noite, a Rússia lançou novamente drones contra instalações de infraestrutura energética. Como resultado, grandes áreas pegaram fogo. Todos os incêndios já foram extintos pelas equipes de resgate. Felizmente, não houve mortes ou feridos – escreveu no Telegram o prefeito de Odessa, Oleg Kiper.
Durante os quatro anos desde que a Rússia lançou uma guerra total contra seu vizinho, e apesar de um novo esforço no último ano nas iniciativas de paz lideradas pelos EUA, os civis ucranianos têm sofrido constantes ataques aéreos.
A Rússia também intensificou os ataques contra a rede elétrica do país, deixando os civis ucranianos sem eletricidade e aquecimento em meio às duras condições do inverno.
A Força Aérea da Ucrânia afirmou no domingo que o bombardeio noturno da Rússia incluiu 297 drones e 50 mísseis de vários tipos, dos quais 274 drones e 33 mísseis foram abatidos ou neutralizados. Dos restantes, 14 mísseis e 23 drones atingiram 14 locais, segundo a Força Aérea. Três mísseis não foram localizados.
“Na madrugada de 22 de fevereiro (iniciando às 19h do dia 21 de fevereiro), o inimigo lançou um ataque combinado contra infraestruturas críticas na Ucrânia, utilizando drones de ataque e mísseis ar-ar e superfície-superfície”, informou a Força Aérea da Ucrânia no Telegram.
“As principais áreas de ataque foram as regiões de Kiev, Odessa, Kirovograd e Poltava”, afirmou a Força Aérea.
Polônia
Os bombardeios russos provocaram o fechamento temporário dos aeroportos de Lublin e Rzeszów, no leste da Polônia, que retomaram suas operações neste domingo.
“As operações da aviação militar no espaço aéreo polonês relacionadas aos ataques da Federação Russa contra a Ucrânia foram encerradas”, informou o Comando Operacional das Forças Armadas Polonesas no X. Entretanto, não foram registadas violações do espaço aéreo polonês.
Em outro incidente, uma explosão na cidade de Lviv, no oeste da Ucrânia, matou uma policial de 23 anos e feriu outras 25 pessoas, informou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma publicação no Telegram neste domingo. Uma pessoa foi presa em relação ao incidente, que não tem relação com o ataque aéreo da Rússia à Ucrânia.
– Este foi um ataque terrorista – disse o prefeito Andriy Sadovyi em um vídeo publicado em seu canal no Telegram, acrescentando que a polícia deteve um suspeito e abriu uma investigação criminal.
De acordo com um comunicado da promotoria, as forças de segurança responderam inicialmente a uma denúncia de arrombamento em uma loja perto do centro histórico de Lviv.
A polícia nacional ucraniana disse que a primeira explosão ocorreu pouco depois da meia-noite, quando chegaram ao local, seguida por uma segunda explosão logo após a chegada de reforços.
Sadovyi acrescentou que dois veículos também foram danificados, incluindo uma viatura policial.
A região de Lviv está localizada no oeste da Ucrânia, perto da fronteira com a Polônia.
A região tornou-se um refúgio para muitos deslocados internos que fugiram dos combates no leste da Ucrânia após a invasão russa.
Ao mesmo tempo, Lviv tem sido alvo frequente de ataques com mísseis e drones russos, o que demonstra que mesmo áreas distantes das linhas de frente permanecem vulneráveis.
Enquanto isso, as defesas aéreas russas destruíram 86 drones ucranianos durante a noite, informou o Ministério da Defesa da Rússia no domingo.
Um guarda de segurança ficou ferido e um tanque de combustível pegou fogo quando dois drones ucranianos atingiram um depósito de petróleo na cidade ucraniana de Lugansk, ocupada pela Rússia, disse o líder instalado por Moscou, Leonid Pasechnik.