Ao abordar o impacto do custo do crédito sobre o cotidiano da população, Durigan enfatizou que a questão afeta diretamente o orçamento das famílias, antes mesmo de atingir o Estado ou os setores empresariais.
Por Redação, com Reuters – de Brasília
O enfoque econômico do governo em um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será centralizado no fim da jornada de trabalho na escala 6 x 1 e na redução das taxas de juros no país. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a necessidade de enfrentar o patamar elevado dos juros e assegurou que nenhuma medida foi aprovada pelo Executivo sem o devido compromisso com a responsabilidade fiscal.

Ao abordar o impacto do custo do crédito sobre o cotidiano da população, Durigan enfatizou que a questão afeta diretamente o orçamento das famílias, antes mesmo de atingir o Estado ou os setores empresariais.
— Nós estamos longe de ter crise fiscal, crise de dívida, não tem isso. Os juros altos trazem um empecilho para as pessoas. Antes de falar do Estado, das empresas, a gente precisa falar para as pessoas, as pessoas sentem isso — declarou o ministro em entrevista concedida à Rádio Metrópoles da Bahia, nesta sexta-feira.
Crediário
Durigan fez críticas severas às taxas praticadas no crédito ao consumidor, citando especificamente o cartão de crédito e os financiamentos oferecidos por instituições financeiras e empresas de tecnologia financeira.
— Os juros do cartão de crédito são absurdos, são abusivos, nós temos que lidar com esse tema. Os juros que as pessoas pagam no crediário, muitas vezes para as fintechs, é um juro que tem que ser tratado, e esse deve ser, junto com o fim da escala 6 x 1, o nosso enfoque para os próximos anos no Brasil — acrescentou.
O chefe da equipe econômica rejeitou as acusações da oposição sobre suposta falta de responsabilidade fiscal do governo Lula. Segundo Durigan, o déficit estrutural do país vem registrando queda contínua e encontra-se atualmente “próximo de zero”.
Inflação
Em relação à taxa básica de juros (Selic), mantida no patamar de 14% ao ano, Durigan apontou que os conflitos geopolíticos e as guerras ao redor do mundo desempenham papel determinante na decisão da autoridade monetária.
— Quando o Banco Central brasileiro diz que está preocupado com preço e com inflação, não é só com a condição fiscal do país, é com guerra no mundo. Não é só o Banco Central brasileiro, os bancos centrais do mundo todo olham para a guerra, veem um impacto de preço e de oferta e falam ‘opa, vou precisar aumentar juros para a inflação não sair do controle’ — pontuou.
Ele atribuiu parte da pressão inflacionária global às ações de potências estrangeiras e suas repercussões no cenário econômico interno.
— Então não é o governo brasileiro que gasta, é a guerra feita pelos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preços para o país — concluiu.