Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Milhares de 'contas laranja’ aparecem no sistema financeiro, aponta pesquisa

Os dados constam em relatório da empresa Quod, especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, a partir do Rufra, como é chamada a base compartilhada de informações sobre fraudes gerenciada pela empresa.

Sábado, 26 de Setembro de 2026 às 10:20, por: CdB

Os dados constam em relatório da empresa Quod, especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, a partir do Rufra, como é chamada a base compartilhada de informações sobre fraudes gerenciada pela empresa.

Por Redação – de São Paulo

Mais de 850 mil indícios de ‘contas laranja’ apareceram no sistema financeiro nacional, apenas no primeiro semestre deste ano. Ao longo deste semestre, o número já equivale a cerca de 88% dos mais de 990 mil indícios registrados ao longo de todo o ano de 2025.

As ‘contas laranja’ infestam o sistema financeiro nacional

Os dados constam em relatório da empresa Quod, especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito, a partir do Rufra, como é chamada a base compartilhada de informações sobre fraudes gerenciada pela empresa. Ainda segundo o levantamento, o sistema financeiro identificou 314.729 documentos fraudulentos associados a contas em diferentes bancos usadas para aplicar fraudes.

 

Contas digitais

De acordo com o diretor de produtos e dados da Quod, Danilo Coelho, há diferentes fatores que podem explicar o elevado número de indícios de contas laranja no sistema financeiro.

— Existem alguns motivos que explicam esse número. Por exemplo, a digitalização em massa da população tem facilitado a abertura de contas digitais, o que não era uma realidade alguns anos atrás — afirmou, nesta sexta-feira, em entrevista ao site de notícias G1.

Coelho afirma que a identificação de contas laranja é mais complexa porque elas podem ser abertas regularmente, com dados verdadeiros, e só depois passar a ser usadas de forma ilícita. Ou seja, os sinais de irregularidade podem aparecer apenas algum tempo depois, quando a movimentação começa a fugir do perfil do titular e acende alertas nos sistemas antifraude das instituições financeiras.

— Tem muita gente que já tem uma conta aberta, às vezes até como uma conta secundária, e decide vender a senha. Há também casos em que o titular aluga a conta para um criminoso por determinado período. Nesse intervalo, ela é usada para lavar dinheiro e, depois, volta a ter uma movimentação normal — observou o executivo.

 

Perfil

A região Sudeste concentra a maior parcela das transações suspeitas, segundo o estudo. São Paulo respondeu por 33,6% dos casos, seguido por Rio de Janeiro (14,4%) e Minas Gerais (6,5%).

Entre os documentos associados aos indícios identificados, 62,2% pertenciam a pessoas de 18 a 34 anos. Na sequência aparecem as faixas de 35 a 49 anos (25,6%) e de 50 a 64 anos (9,1%).

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