O novo líder possui trânsito entre diversas facções do regime, incluindo na poderosa Guarda Revolucionária.
Por Redação, com ANSA – de Teerã
O Irã oficializou no domingo a escolha de Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá Ali Khamenei, como novo guia supremo do país.

O clérigo de 56 anos foi eleito pela Assembleia dos Peritos, um órgão composto por 88 membros e que tem como principais funções nomear e supervisionar a atuação da principal figura do regime na República Islâmica.
Mojtaba é o terceiro guia supremo da história do Irã, após seu próprio pai, que exercia a função desde 1989 e foi morto em um bombardeio de Estados Unidos e Israel em Teerã, em 28 de fevereiro, e Ruhollah Khomeini, o pai da revolução de 1979.
O novo líder possui trânsito entre diversas facções do regime, incluindo na poderosa Guarda Revolucionária, o braço ideológico das Forças Armadas iranianas e que jurou lealdade ao filho de Khamenei. “Apoiamos a escolha da Assembleia de Peritos e estamos prontos à total obediência e ao sacrifício para atender aos mandamentos divinos”, diz um comunicado do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.
A eleição de Mojtaba também é um recado direto ao presidente dos EUA, Donald Trump, que havia dito na semana passada que ele participaria da escolha do novo guia supremo e que manter o sobrenome Khamenei no comando do Irã seria “inaceitável”.
Nascido em Mashhad, em 8 de setembro de 1969, Mojtaba permaneceu distante dos holofotes durante décadas e construiu seu poder no silêncio dos corredores do Beit-e Rahbari, o complexo que abrigava os escritórios de Khamenei e foi bombardeado no primeiro dia de guerra.
Guardião
Ele era uma espécie de guardião do pai, decidindo quem podia falar com o aiatolá e quais informações chegavam em sua mesa, acumulando nas sombras um poder informal, porém grande. Mas a verdadeira força de Mojtaba reside em sua ligação indissolúvel com a Guarda Revolucionária.
Diferentemente do pai, mais ideológico, Mojtaba sempre esteve próximo dos generais, e diversas fontes de inteligência no Ocidente atribuíram a ele a coordenação da repressão contra os protestos de 2009 e 2022.
Sua eleição, por outro lado, rompe o dogma fundamental de evitar que o Irã virasse uma espécie de monarquia hereditária, arriscando criar descontentamento no clero xiita. Quem já cruzou seu caminho o descreve como uma figura ainda mais intransigente e vingativa que o pai, com um patrimônio estimado em centenas de milhões de dólares e uma rede de influência que se estende de milícias no Iraque às contas correntes em Londres.
Sancionado pelo Departamento do Tesouro dos EUA em 2019 por seus laços com a Força Quds, unidade de elite da Guarda Revolucionária, ele se casou em 2004 com Zahra Haddad-Adel, filha de Gholam-Ali Haddad-Adel, ex-presidente do parlamento iraniano, e morta nos bombardeios em Teerã.
No entanto ele não teve filhos, e frequentemente circularam relatos de viagens anônimas a Londres para tratamento de infertilidade, o que o regime poderia ver como um sinal de fraqueza.