A Guarda Revolucionária do Irã informou em comunicado que suas forças navais interceptaram dois navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz de maneira irregular.
Por Redação, com RFI – de Teerã
O Irã volta a demonstrar o controle sobre o estratégico estreito de Ormuz ao apreender, na quarta, dois navios que tentavam cruzar a passagem marítima. Teerã condiciona a reabertura do estreito e a retomada das negociações ao fim do bloqueio americano aos portos. A apreensão de navios, a manutenção dos bloqueios e as incertezas sobre negociações elevam tensão e pressionam preços do petróleo nesta quinta-feira.

A Guarda Revolucionária do Irã informou em comunicado que suas forças navais interceptaram dois navios que tentavam atravessar o estreito de Ormuz de maneira irregular. “As embarcações infratoras foram apreendidas e conduzidas à costa iraniana”, afirmou.
A Casa Branca minimizou o episódio. A porta-voz Karoline Leavitt declarou que o presidente dos Estados Unidos não considera a apreensão uma violação do cessar-fogo em vigor. O Panamá, no entanto, confirmou que um dos navios apreendidos, o MSC Francesca, navegava sob sua bandeira e acusou Teerã de causar um “grave prejuízo” à segurança marítima internacional.
A apreensão dos navios é uma resposta direta às medidas americanas e ao endurecimento do bloqueio imposto por Washington aos portos iranianos.
O Exército americano obrigou 31 navios a darem meia-volta na região nas últimas horas. O Comando Central dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom) informou na quarta-feira que as forças americanas “ordenaram que 31 navios retornassem ou voltassem aos seus portos no contexto do bloqueio americano contra o Irã”. “A maioria dos navios cumpriu as instruções americanas”, acrescentou o Centcom na rede X, completando que “a maioria dos navios que deram meia-volta eram petroleiros”.
Trégua ameaçada
As apreensões de navios pelo Irã acontecem após o anúncio do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump de uma prorrogação por tempo indeterminado do cessar-fogo. A trégua firmada por duas semanas entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irã, de outro, deveria ter expirado no meio da semana. Autoridades iranianas não confirmaram se aceitaram a extensão anunciada por Trump.
O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo pleno só faz sentido com o levantamento do bloqueio aos portos iranianos. Em uma publicação nas redes sociais, ele classificou as sanções como uma “violação flagrante do cessar-fogo” e descartou qualquer reabertura do estreito de Ormuz enquanto elas continuarem em vigor.
O agravamento das tensões elevou os preços do petróleo nos mercados internacionais. As cotações chegaram a subir mais de 4% no início das negociações desta quinta-feira na Ásia, antes de perderem força.
Por volta das 6h35 (GMT), o barril do West Texas Intermediate (WTI) era negociado a US$ 94,33, alta de 1,47%, enquanto o Brent subia 1,41%, a US$ 103,35, mantendo-se acima da marca simbólica de US$ 100.
Risco de minas
Relatos da imprensa americana indicam que o Pentágono estima que a desminagem do estreito de Ormuz poderia levar até seis meses, o que teria impactos significativos sobre o comércio global de energia. De acordo com informações apresentadas em sessão confidencial no Congresso, o Irã pode ter instalado 20 ou mais minas marítimas na região, algumas delas posicionadas com auxílio de tecnologia GPS.
Um porta-voz do Departamento de Defesa negou essas informações reveladas pelo Washington Post, classificando-as como vazamentos imprecisos de um briefing reservado. Segundo ele, a hipótese de fechamento do estreito por seis meses é “impossível e totalmente inaceitável”.
A Guarda Revolucionária já havia alertado, em abril, sobre a existência de uma “zona perigosa” de cerca de 1,4 mil quilômetros quadrados, onde minas poderiam estar espalhadas.
Mesmo diante da possibilidade de uma eventual reabertura do estreito, empresas de transporte marítimo seguem adotando cautela. Armadores afirmam que ainda faltam garantias claras sobre as rotas seguras e sobre a remoção de possíveis minas. Alguns países não envolvidos diretamente no conflito se disseram dispostos a participar de uma missão internacional neutra para garantir a segurança da navegação em Ormuz.
Cerca de um quinto do transporte mundial de petróleo passa pelo estreito, que se tornou o principal foco do conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques israelenses e americanos contra o Irã. O cessar-fogo entre Washington e Teerã entrou em vigor em 8 de abril.
Em novo capítulo da crise, um alto dirigente do Parlamento iraniano afirmou que o país já começou a arrecadar pedágio para a travessia do estreito de Ormuz. Segundo Hamidreza Hajibabaei, vice-presidente do Parlamento, os primeiros valores foram depositados na conta do Banco Central do Irã, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre os montantes arrecadados.