Rio de Janeiro, 23 de Abril de 2026

Guerra agrava crise e devolve milhões à pobreza no Irã

A guerra no Irã e a escassez de fertilizantes empurram 30 milhões de pessoas de volta à pobreza, aumentando a insegurança alimentar e afetando a economia global.

Quinta, 23 de Abril de 2026 às 10:52, por: CdB

A escassez de fertilizantes — agravada pelo bloqueio de navios de carga no Estreito de Ormuz — já reduziu a produtividade agrícola.

Por Redação, com Reuters – de Bangcoc

Mais de 30 milhões de pessoas serão empurradas de volta à pobreza devido aos impactos da guerra do Irã, incluindo interrupções no fornecimento de combustível e fertilizantes, disse o chefe de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), Alexander De Croo, nesta quinta-feira.

Guerra agrava crise e devolve milhões à pobreza no Irã | Informação é do chefe de Desenvolvimento da ONU, Alexander De Croo
Informação é do chefe de Desenvolvimento da ONU, Alexander De Croo

A escassez de fertilizantes — agravada pelo bloqueio de navios de carga no Estreito de Ormuz — já reduziu a produtividade agrícola, declarou à agência inglesa de notícias Reuters o administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Isso provavelmente afetará a produção agrícola mais à frente este ano, acrescentou o ex-primeiro-ministro belga.

“A insegurança alimentar atingirá seu nível máximo em alguns meses, e não há muito que se possa fazer a respeito”, disse ele, listando outras consequências da crise, como a escassez de energia e a queda das remessas.

– Mesmo que a guerra parasse amanhã, esses efeitos já estão presentes e empurrarão mais de 30 milhões de pessoas de volta à pobreza – completou.

Grande parte dos fertilizantes do mundo é produzida no Oriente Médio, e um terço dos suprimentos globais passa pelo Estreito de Ormuz, onde o Irã e os Estados Unidos disputam o controle.

ONU

Neste mês, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Programa Mundial de Alimentos da ONU alertaram que a guerra elevará os preços dos alimentos, sobrecarregando ainda mais as populações mais vulneráveis do mundo.

De Croo disse que os efeitos indiretos da crise já eliminaram uma estimativa de 0,5% a 0,8% do PIB (Produto Interno Bruto) global. “Coisas que levam décadas para serem acumuladas, são necessárias oito semanas de guerra para destruí-las”, declarou.

A crise também está sobrecarregando os esforços humanitários à medida que o financiamento diminui e as necessidades aumentam em locais que já enfrentam emergências graves, incluindo Sudão, Gaza e Ucrânia.

– Teremos que dizer a certas pessoas: sinto muito, mas não podemos ajudá-los – afirmou..

– As pessoas que estariam sobrevivendo com ajuda não terão isso e serão empurradas para uma vulnerabilidade ainda maior.

Edições digital e impressa