Rio de Janeiro, 23 de Janeiro de 2026

Feira da Praça XV é suspensa por 41 dias durante o Carnaval de 2026

A Feira de Antiguidades da Praça XV no Rio de Janeiro será suspensa por 41 dias durante o Carnaval de 2026 devido aos megablocos. Expositores expressam descontentamento.

Sexta, 23 de Janeiro de 2026 às 11:35, por: CdB

Decisão ocorre por conta dos dez megablocos que vão se apresentar na região no período do Carnaval. Expositores reclamam.

Por Redação, com Agenda do Poder – do Rio de Janeiro

Tombada por decreto municipal e considerada a maior da América Latina, a Feira de Antiguidades da Praça XV terá suas atividades suspensas durante o Carnaval de 2026.

Feira da Praça XV é suspensa por 41 dias durante o Carnaval de 2026 | A feira de antiguidades é tombada e acontece desde a década de 1970
A feira de antiguidades é tombada e acontece desde a década de 1970

Tradicional ponto de encontro de moradores do Rio de Janeiro e turistas, a feira acontece aos sábados, das 6h às 15h, no Centro da cidade.

De acordo com a prefeitura do Rio, a suspensão ocorre em razão do circuito dos megablocos carnavalescos no Centro. As atividades não serão realizadas nos dias 24 e 31 de janeiro, além de 7, 14 e 21 de fevereiro.

A medida acompanha a programação dos 10 megablocos que desfilarão no Circuito Preta Gil, já definida Riotur para o Carnaval de 2026.

Criada na década de 1970, a feira reúne expositores especializados em livros, discos, fotografias, móveis e objetos antigos, consolidando-se como referência cultural e turística da cidade ao longo de mais de cinco décadas.

Suspensão gerou críticas

A suspensão gerou críticas entre os feirantes. Em publicação nas redes sociais, o brechó Makabas afirmou que a feira ficará 41 dias sem funcionar e reclamou da perda de espaço durante o período carnavalesco. “Ano após ano, ela é preterida. Seu espaço é entregue aos megablocos de Carnaval”, diz o comunicado.

A publicação também destaca o papel econômico e ambiental da feira. “A feira não gera só cultura: ela sustenta a economia circular. Tudo ali é reaproveitamento, restauração, troca e reutilização. É sustentabilidade feita pelo povo, na prática”, afirma o texto, ressaltando ainda que os expositores não são contrários à realização dos blocos de Carnaval.

Pavilhão de São Cristóvão pode ir a leilão por dívida da Riotur

O terreno do Centro de Tradições Nordestinas, conhecido como Feira de São Cristóvão, está previsto para ir a leilão no dia 25 de fevereiro. A medida decorre de um processo de execução fiscal movido pela União contra a Riotur, empresa responsável pela administração do espaço. O valor mínimo do lance é de cerca de R$ 25 milhões.

A possibilidade de venda do imóvel tem causado apreensão entre os lojistas e trabalhadores da feira, considerada patrimônio cultural e imaterial da cidade do Rio de Janeiro. O edital do leilão, apresentado pela própria Riotur, não esclarece se o Centro de Tradições Nordestinas poderá permanecer no local após a venda.

– Levamos um susto. Desde então, não temos dormido. A gente tem pensado no que vai fazer. Espero que a prefeitura tome uma posição e resolva essa situação para não tirar a nossa casa – afirmou o diretor do Centro de Tradições Nordestinas, Magno Pereira.

A comissão responsável pela administração do espaço entrou com um embargo na Justiça para tentar impedir o leilão.

O imóvel está penhorado para o pagamento de dívidas, principalmente fiscais e trabalhistas. Entre os problemas apontados no processo está o descumprimento, em 2012, da concessão de um intervalo mínimo de 11 horas consecutivas de descanso entre jornadas de trabalho.

Em nota, a prefeitura do Rio informou que trabalha para impedir o leilão.

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