Rio de Janeiro, 01 de Junho de 2026

Falsos médicos são investigados após nove mortes em SP

Investigação revela atuação de falsos médicos em SP, resultando em nove mortes. Famílias buscam respostas sobre atendimentos suspeitos.

Segunda, 01 de Junho de 2026 às 11:59, por: CdB

Polícia apura atuação de dois acusados que teriam atendido cerca de 2 mil pacientes; familiares cobram respostas sobre mortes ocorridas após atendimentos.

Por Redação, com Agenda do Poder – de São Paulo

A investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre a atuação de falsos médicos no Hospital Jardim Helena, na Zona Leste da capital, ganhou novos desdobramentos após a prisão de um dos suspeitos e a apuração de pelo menos nove mortes consideradas suspeitas. Familiares de pacientes que faleceram após passarem pela unidade relatam indignação e questionam se os óbitos poderiam ter sido evitados.

Falsos médicos são investigados após nove mortes em SP | Guilherme Lucena, filho de paciente que morreu após ser atendido por falso médico
Guilherme Lucena, filho de paciente que morreu após ser atendido por falso médico

Os investigados são Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva. Segundo a polícia, ambos utilizaram identidades falsas para exercer ilegalmente a medicina dentro da unidade hospitalar. Marcos foi preso nesta semana, enquanto Mayke segue foragido.

A investigação aponta possíveis crimes de falsidade ideológica, exercício ilegal da medicina e homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de provocar a morte de alguém.

Nove mortes

De acordo com a Polícia Civil, pelo menos nove óbitos ocorridos após atendimentos realizados pelos falsos médicos estão sendo analisados. A apuração busca identificar se houve relação entre a atuação dos suspeitos e as mortes registradas.

As autoridades estimam que aproximadamente 2 mil pacientes tenham sido atendidos pelos acusados. O número total de registros analisados ultrapassa 9 mil atendimentos realizados no período em que os dois atuaram no hospital.

A descoberta do esquema ocorreu após uma denúncia anônima. Durante a investigação, policiais verificaram inconsistências nos documentos apresentados pelos profissionais e concluíram que eles utilizavam identidades de médicos reais.

Segundo a polícia, Marcos Phelipe de Barros se apresentava como “Nicolas Joseph Della Matta”. Já Mayke César Silva utilizava o nome de Mike José do Nascimento Florentino.

Relatos de ex-funcionários indicam que Mayke, que seria biomédico, atuava no pronto-socorro e também na pediatria. Marcos, identificado como instrumentador cirúrgico, trabalhava no pronto-socorro.

As investigações apontam ainda que pacientes considerados mais graves eram frequentemente encaminhados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), reduzindo a necessidade de acompanhamento direto por parte dos suspeitos.

Filho de vítima diz que morte poderia ter sido evitada.

Entre os casos investigados está o do bombeiro aposentado conhecido como Cabo Lucena. Em 2025, ele procurou atendimento médico com suspeita de dengue.

O filho dele, Guilherme Lucena, relatou que confiou nas orientações do profissional que acreditava ser médico. Segundo ele, o suposto especialista informou que seria necessário realizar a intubação do paciente.

Pouco tempo depois, a família recebeu a notícia da morte. Guilherme afirma que somente mais tarde descobriu que o atendimento havia sido realizado por um falso médico.

– Eu tinha certeza que não era para o meu pai morrer. Quando soube da investigação, tive ainda mais certeza de que não era a hora do meu pai – declarou.

Família questiona alta hospitalar antes de novo óbito.

Outro caso investigado envolve Tânia, paciente que realizava tratamento para uma doença crônica e costumava frequentar o Hospital Jardim Helena.

Após um exame apontar sinais de infarto, ela foi encaminhada para um procedimento de cateterismo em outra unidade de saúde. Em seguida, retornou para a UTI do hospital.

Segundo a filha, Tainá Cristina da Silva, a paciente recebeu alta hospitalar durante a tarde e morreu poucas horas depois, já em casa. A família agora busca esclarecimentos sobre a condução do caso.

– É impossível não pensar se ela teria tido outra chance com um atendimento adequado. É uma situação muito triste e revoltante – afirmou.

Hospital

Além dos falsos médicos, a investigação também alcança Daniela Antunes Krauthamer, gestora administrativa da unidade, e Fábio das Neves Filho, gestor médico de uma empresa terceirizada responsável por contratações. Ambos foram afastados cautelarmente.

Em nota, a defesa do Hospital Jardim Helena informou que a responsabilidade pela verificação dos registros médicos era da empresa terceirizada contratada para fornecer profissionais à unidade.

Segundo o posicionamento apresentado, auditorias internas e análises dos prontuários não identificaram nexo de causalidade entre a atuação dos falsos médicos e os óbitos investigados. O hospital sustenta que as mortes eram compatíveis com o estado clínico dos pacientes e que as decisões médicas foram tomadas de forma multidisciplinar.

A defesa de Marcos Phelipe de Barros não se manifestou sobre o caso. Já os advogados de Mayke César Silva não foram localizados. Os médicos verdadeiros cujas identidades foram utilizadas pelos suspeitos são considerados vítimas do esquema pela Polícia Civil e optaram por não comentar o caso.

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