Rio de Janeiro, 04 de Abril de 2025

Evo inicia greve de fome e pede ‘diálogo de paz’ entre bolivianos

Os protestos em sua defesa completaram 20 dias neste sábado e são alvo de operações de repressão por parte do governo boliviano.

Sábado, 02 de Novembro de 2024 às 17:36, por: CdB

Os protestos em sua defesa completaram 20 dias neste sábado e são alvo de operações de repressão por parte do governo boliviano.

Por Redação, com agências internacionais – de La Paz

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales iniciou, neste sábado, a greve de fome que usa para pedir um “diálogo de paz” com o governo de Luís Arce. 

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Ex-presidente da Bolívia, Evo Morales é alvo de um rumoroso processo na Justiça boliviana

— Não queremos derramamento de sangue. Sempre buscamos um diálogo sincero. Peço ao Pacto de Unidade e ao Estado-Maior do Povo que considerem um quarto intervalo no bloqueio das estradas — disse Evo Morales.

Os protestos em sua defesa completaram 20 dias neste sábado e são alvo de operações de repressão por parte do governo boliviano.

Negociações

Os manifestantes pedem o encerramento das investigações contra o ex-presidente acusado de manter relações com uma menina de 15 anos em 2015, quando ainda era presidente e exigem que ele possa ser candidato às eleições presidenciais de 2025. O ex-presidente da Bolívia não compareceu para depor sobre o caso na Delegacia Geral de Polícia de Tarija e o Ministério Público anunciou, há algumas semanas, que emitiria um mandado de prisão contra ele, mas não se pronunciou desde então.

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“Entraremos em greve de fome. O governo deve retirar todas as forças militares e policiais. Além disso, exigimos a criação de duas mesas de diálogo para discutir questões econômicas e políticas. A perseguição e a repressão devem cessar. Também solicitamos a participação de organizações internacionais e países amigos como facilitadores do diálogo”, disse Morales em comunicado divulgado na noite passada.

Ainda na sexta-feira, manifestantes ocuparam um quartel e prenderam cerca de 20 militares na região do Chapare, local que é reduto eleitoral do ex-mandatario. As Forças Armadas do país emitiram uma nota afirmando que a tomada de unidades militares por “grupos armados irregulares” é uma “traição à pátria” e pediram que os militares presos sejam libertos. O texto também pede que os manifestantes deixem as dependências das unidades militares.

 

Acusações

Evo foi acusado pelo ministro da Justiça, César Siles, de criar uma rede de jovens de 14 a 15 anos para ter a sua disposição enquanto era presidente. O ministro disse que esse grupo seria chamado de “Geração Evo”. Os pais da jovem também estariam sendo investigados porque, supostamente, receberam dinheiro ao entregá-la ao ex-presidente em troca de favores.

De acordo com a lei boliviana, caso ele não se apresentasse para depor, a Justiça poderia determinar uma ordem de captura para que Morales deponha. César Siles reforçou que Evo estaria sujeito à prisão caso não comparecesse. 

Na sexta-feira, a secretária de Gênero de Cochabamba, Tatiana Herrera, denunciou Evo por outros cinco casos envolvendo tráfico de pessoas e estupro. Os crimes teriam sido cometidos desde 2019. Elas seriam menores de idade e teriam sido enviadas a La Paz por intermediários.

 

Disputa

Evo chamou de traição a relação com o atual presidente Luis Arce. O ex-presidente se tornou o principal opositor do atual governo depois de voltar do exílio na Argentina. Morales critica algumas decisões de Arce e seus apoiadores e passou a disputar espaço pela candidatura do Movimento Al Socialismo (MAS) nas eleições presidenciais de 2025.

O estopim da desavença, na corrida pela liderança do MAS, se deu em outubro de 2023, quando Morales organizou um congresso em Lauca Eñe, no distrito de Cochabamba. A região é berço político e reduto eleitoral do ex-presidente. No evento, ele chamou os apoiadores de Arce de “traidores”.

O Tribunal Constitucional Plurinacional da Bolívia decretou, em dezembro de 2023, que presidentes e vice-presidentes só poderiam exercer o cargo por dois mandatos, de forma seguida ou não. Com a sentença judicial, Evo Morales, que foi presidente por quatro mandatos, não poderia voltar ao poder.

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