Países romperam as relações em 2019. Anúncio foi feito após visita de secretário norte-americano a Caracas.
Por Redação, com DW – de Washington, Caracas
Os Estados Unidos e Venezuela concordaram formalmente em restabelecer laços os diplomáticos que estavam rompidos desde o início de 2019. A decisão representa um novo e contundente passo no processo de cooperação entre os dois países iniciado após o governo de Donald Trump capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro.

“Os Estados Unidos e as autoridades interinas da Venezuela concordaram em restabelecer relações diplomáticas e consulares. Esta medida facilitará os nossos esforços conjuntos para promover a estabilidade, apoiar a recuperação econômica e avançar na reconciliação política na Venezuela”, afirma um comunicado do Departamento de Estado divulgado na quinta-feira.
A decisão foi confirmada pelo governo da Venezuela, dirigido pela presidente interina, Delcy Rodríguez. “O governo bolivariano reafirma sua disposição de avançar em uma nova etapa de diálogo construtivo, baseada no respeito mútuo, na igualdade soberana dos Estados e na cooperação entre nossos povos”, afirmou.
Após a captura de Maduro, o governo Trump estabeleceu um processo de três fases – estabilização, recuperação e transição democrática – para o futuro da Venezuela, e o republicano apostou na ex-vice-presidente Delcy Rodríguez para liderar a primeira dessas etapas. Trump elogiou repetidamente o trabalho da política chavista à frente do governo interino e sua estreita cooperação com Washington.
Reabertura de embaixadas
A decisão de quinta foi tomada após o “diálogo diplomático” estabelecido com as autoridades americanas e foi anunciada após a visita a Caracas do secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum.
No que diz respeito à reconstrução das relações diplomáticas, Washington e Caracas discutiram a possibilidade de explorar uma retomada gradual das relações para reabrir suas respectivas embaixadas.
No final de janeiro, Laura Dogu, encarregada de negócios dos Estados Unidos, chegou a Caracas com a missão de reabrir a missão em solo venezuelano, enquanto o governo de Rodríguez nomeou, poucos dias depois, Félix Plasencia como representante diplomático da Venezuela nos Estados Unidos.
As relações diplomáticas entre EUA e Venezuela foram rompidas no início de 2019, durante o primeiro mandato de Donald Trump, quando Washington reconheceu o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino.
Investimentos
No final de uma visita de dois dias a Caracas, Burgum anunciou que o seu país está preparando novas licenças para permitir investimentos no setor da mineração da Venezuela. Acompanhado durante a visita por representantes de mais de 20 empresas do setor, Burgum expressou que o governo Trump quer “abrir as portas para todos aqueles” que queiram operar no país sul-americano.
Na quarta, Delcy Rodríguez realizou uma reunião com o secretário americano e anunciou uma “ampliação da Lei de Minas”, para a qual pediu ao Parlamento “celeridade”, a fim de expor ao mundo “as oportunidades de investimento e desenvolvimento”. Durante a visita de Burgum, a presidente interina assinou ainda acordos com a britânica Shell na área do petróleo e gás.
Burgum foi o segundo secretário do gabinete de Trump a visitar a Venezuela desde janeiro, depois do secretário de Energia, Chris Wright, que estabeleceu com Rodríguez uma associação energética de longo prazo.