EUA podem reduzir presença militar também no Afeganistão
Depois de Trump anunciar planos de retirar tropas americanas da Síria, Pentágono planejaria diminuir pela metade contingente em solo afegão. Medida teria contribuído para renúncia do secretário de Defesa, Jim Mattis.
Depois de Trump anunciar planos de retirar tropas norte-americanas da Síria, Pentágono planejaria diminuir pela metade contingente em solo afegão. Medida teria contribuído para renúncia do secretário de Defesa, Jim Mattis.
Por Redação, com DW - de Washington
Pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar planos de retirar as tropas americanas que combatem o "Estado islâmico" (EI) na Síria, fontes do governo afirmaram na quinta-feira que o Pentágono planeja reduzir pela metade o contingente de 14 mil soldados que atuam no Afeganistão. A medida seria uma mudança importante na política do governo Trump, cujo objetivo é obrigar o Talebã a participar de negociações de paz após mais de 17 anos de conflito.
Soldados americanos patrulham as ruas de Ghazni, a oeste de Cabul
O presidente norte-americano já havia defendido anteriormente a retirada das tropas que combatem a insurgência do Talebã no Afeganistão, afirmando que a guerra é uma causa perdida. Mas, no início do ano, o secretário de Defesa dos EUA, Jim Mattis, o convenceu a manter a presença militar no país como forma de pressionar o grupo radical islâmico, além de deter os avanços do EI.
A decisão de reduzir o contingente em solo afegão, segundo relatos anônimos de fontes do governo à imprensa, teria sido um dos fatores que levou Mattis a anunciar na quinta-feira que deixará o cargopor discordar das visões do presidente.
Os Estados Unidos iniciaram a intervenção no Afeganistão em novembro de 2001 após os ataques de 11 de setembro em solo norte-americano, atribuídos ao Talebã. Mais de 2,4 mil soldados foram mortos no conflito que mais durou no país e que gerou gastos de mais de US$ 900 bilhões a Washington.
A decisão tomada por Trump surpreendeu autoridades e diplomatas estrangeiros em Cabul, concentrados em esforços intensificados para por fim ao conflito. Desde o início da intervenção americana, três presidentes prometeram trazer paz ao país, ordenando o reforço do contingente militar para combater o Talebã ou anunciando medidas para conter a corrupção no governo afegão.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e os EUA encerraram oficialmente em 2014 suas missões de combate em solo afegão, mas as tropas americanas e aliadas permanecem no país, conduzindo ataques ao grupo "Estado Islâmico" e ao Talebã e fornecendo treinamento e estrutura para as forças de segurança locais.
Os insurgentes do Talebã controlam quase a metade do território do país, realizando ataques quase diários contra as forças de segurança e autoridades do governo. Nos últimos meses houve algumas tentativas de reiniciar as negociações de paz com o grupo islamista, que podem agora estar ameaçadas pela provável redução da presença militar americana.
Um porta-voz do presidente afegão, Ashraf Ghani, afirmou nesta sexta-feira que a decisão de Trump não afetará a estabilidade no país. "Se eles se retirarem do Afeganistão, isso não terá impacto sobre a segurança, uma vez que, nos últimos quatro anos e meio, os afegãos estiveram com o controle total", declarou.