A mobilização é um protesto contra a política imigratória do presidente norte-americano, Donald Trump, e ocorre após duas pessoas serem mortas em operações de agentes.
Por Redação, com RFI – de Nova York
Ativistas convocaram uma “greve nacional sem trabalho, sem aulas e sem consumo” para esta sexta-feira em várias cidades dos Estados Unidos.

A mobilização é um protesto contra a política imigratória do presidente norte-americano, Donald Trump, e ocorre após duas pessoas serem mortas em operações de agentes federais em Minneapolis neste mês.
“A população das Twin Cities [Minneapolis e Saint Paul] mostrou o caminho para o país inteiro. Para acabar com o reinado de terror do ICE, precisamos parar tudo”, afirma o site da campanha National Shutdown.
Na semana passada, milhares de pessoas saíram às ruas em Minnesota, e centenas de comércios fecharam as portas em uma paralisação semelhante, para protestar contra a morte da cidadã americana Renee Good, de 37 anos, mãe de três filhos, alvo de tiros de uma agente do ICE. No dia seguinte à manifestação, Alex Pretti, de 37 anos, enfermeiro da rede de veteranos de guerra, foi morto por agentes federais em outra operação em Minneapolis.
Os organizadores da greve nacional afirmam que há um sentimento generalizado de choque e indignação com os dois casos, além de outras mortes atribuídas à polícia de imigração nos últimos meses. Entre elas, a de Keith Porter Jr., de 43 anos, pai de dois filhos, morto por um agente do ICE fora de serviço em Los Angeles na noite de Ano Novo, e a de Silverio Villegas González, mexicano de 38 anos, morto a tiros por um agente em setembro passado, em um subúrbio de Chicago.
O governo Trump sustenta que os agentes agiram em legítima defesa em todos os episódios. Ainda assim, os casos recentes em Minneapolis provocaram críticas de democratas e republicanos e desencadearam protestos em várias regiões do país.
Segundo o site do National Shutdown, vídeos das ocorrências contradizem a versão oficial. A campanha afirma que as vítimas foram mortas “em plena luz do dia” enquanto exerciam o direito constitucional de protestar contra as deportações em massa.
Em sua plataforma Truth Social, Trump publicou nesta sexta-feira que o enfermeiro morto pelo ICE no último fim de semana era um “agitador e, talvez, um insurrecionista”. “A reputação de Alex Pretti caiu muito com o vídeo recém‑divulgado em que ele aparece gritando e cuspindo no rosto de um agente do ICE”, escreveu o presidente, referindo-se a uma gravação em que o manifestante aparece enfrentando agentes federais, 11 dias antes de sua morte.
Descentralizado
O chamado para a paralisação nacional partiu de um movimento descentralizado, com apoio de grupos em cidades como Minneapolis, Cleveland e Nova York. A proposta é que a população suspenda atividades de trabalho, estudo e consumo como forma de pressionar o governo a rever as operações de imigração.
Entre os apoiadores estão organizações de defesa dos direitos humanos, como a Defend Immigrant Families Campaign, o Council on American-Islamic Relations, a Poor People’s Campaign da Carolina do Norte, o LA Tenants Union e grupos estudantis da Universidade de Minnesota. Movimentos de alcance nacional, como o grupo feminista CodePink, também aderiram.
Artistas e celebridades divulgam a greve nas redes sociais. Entre eles estão os atores Pedro Pascal, Hannah Einbinder, Edward Norton e Jamie Lee Curtis. Em uma publicação no Instagram, Pascal escreveu que “a verdade é a linha que separa um governo democrático de um regime autoritário”.
Em entrevista ao Los Angeles Times, durante o Festival de Cinema de Sundance, em Park City (Utah), Norton defendeu a ampliação do movimento. Segundo ele, o país deveria discutir “uma greve econômica nacional até que isso acabe”.
Negociações
Enquanto isso, em Washington, democratas e a Casa Branca chegaram a um acordo temporário para evitar uma paralisação parcial do governo. As partes decidiram separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) do restante do orçamento federal e garantir recursos para a pasta por duas semanas, enquanto seguem as negociações sobre possíveis restrições às operações do ICE.
O acordo veio após democratas bloquearem, no Congresso, um projeto que previa o financiamento integral do DHS. Nas redes sociais, Trump afirmou que republicanos e democratas “se uniram para manter a maior parte do governo financiada até setembro” e pediu um voto bipartidário favorável à medida.