Rio de Janeiro, 01 de Março de 2026

EUA abrem frente múltipla de guerras sem munição suficiente, diz analista

Analista destaca que os EUA estão em várias frentes de guerra, mas enfrentam escassez de munição e custos elevados para contribuintes, afetando serviços essenciais.

Domingo, 01 de Março de 2026 às 13:10, por: CdB

Ao mesmo tempo, o analista ressalta que os contribuintes norte-americanos arcam com o custo do dinheiro que deixa de estar disponível no país para atender aos interesses reais da nação, como infraestrutura, educação, saúde e segurança interna.

Por Redação, com Sputnik – de Moscou

O principal problema de Washington no Oriente Médio é a expansão global excessiva dos Estados Unidos, disse à agência russa de notícias Sputnik o analista geopolítico e ex-militar norte-americano Brian Berletic, ao comentar uma reportagem da agência norte-americana de notícias Bloomberg segundo a qual os estoques de interceptadores de mísseis dos EUA poderiam se esgotar em poucos dias caso continuem os ataques retaliatórios iranianos.

EUA abrem frente múltipla de guerras sem munição suficiente, diz analista | O superporta-aviões USS Gerald R. Ford encontra-se no Mediterrâneo, próximo à área de conflito com o Irã
O superporta-aviões USS Gerald R. Ford encontra-se no Mediterrâneo, próximo à área de conflito com o Irã

Segundo o analista, Washington abriu frentes múltiplas de guerra, ao redor do mundo, desde a América Latina à Ucrânia, na Eurásia; Irã e no Iêmen, no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, os EUA também reúnem forças para um confronto com a China, na região da Ásia-Pacífico, e o país simplesmente não tem munições suficientes para tudo isso.

— É difícil prever por quanto tempo os estoques dos EUA e de Israel durarão ao ritmo atual de uso (dois a três interceptadores por míssil), mas eles já estavam significativamente esgotados mesmo antes do início da última rodada de agressões — observou.

 

Mediterrâneo

Na ótica do especialista, a estratégia dos EUA envolve mais a movimentação dos estoques existentes em todo o mundo do que a produção de munições adicionais. Nesse contexto, Berletic salientou que, após os ataques de junho de 2025, os EUA suspenderam as operações e passaram a usar métodos assimétricos para enfraquecer a economia e desestabilizar politicamente o Irã.

Os EUA também buscaram minar sua capacidade militar, enquanto transferiam os estoques existentes de armas e munições de suas muitas bases ao redor do mundo para lançar outra rodada de hostilidades.

— É possível que os Estados Unidos repitam esse processo outra vez se o Irã for capaz de resistir por mais tempo do que os estoques dos EUA permitam para um ataque efetivo — acrescentou.

Custos

Assim, pontua o especialista, os contribuintes norte-americanos vão pagar por todos os custos de guerra. Os cidadãos dos EUA pagam por todas as guerras de agressão dos Estados Unidos no exterior, não apenas em termos de impostos desviados para gastos militares elevados.

Ao mesmo tempo, o analista ressalta que os contribuintes norte-americanos arcam com o custo do dinheiro que deixa de estar disponível no país para atender aos interesses reais da nação, como infraestrutura, educação, saúde e segurança interna.

Anteriormente, a Bloomberg informou que os estoques de munições dos EUA e de Israel podem esgotar-se em poucos dias se o Irã continuar a atacar com a mesma intensidade. Segundo a agência, a capacidade dos EUA, de Israel e dos Estados do golfo Pérsico para resistir aos ataques retaliatórios do Irã dependerá do número de interceptadores de mísseis que eles têm. Nota-se que os estoques, provavelmente, são muito baixos após o intenso confronto com o Irã no ano passado.

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