Líderes iranianos confirmaram que o ataque ocorreu enquanto Khamenei trabalhava em seu gabinete.
Por Redação, com Sputnik – de Teerã
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto no sábado, confirmou a agência iraniana de notícias Irna, após os Estados Unidos e Israel lançarem o ataque mais ambicioso contra alvos iranianos, em décadas. Na véspera, um alto funcionário israelense havia dito à agência inglesa de notícias Reuters que o corpo do líder iraniano havia sido encontrado sob escombros, e o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que os EUA trabalharam em estreita colaboração com Israel para alvejar o homem que liderou o Irã desde 1989.

Na sequência do ataque dos EUA e de Israel ao Irã; além o líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei, segundo confirmação do primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Mokhber, foram mortos o secretário do Conselho de Defesa Nacional Ali Shamkhani e o general Mohammad Pakpour, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica. Mokhber confirmou também as mortes da filha, genro, neta e nora de Ali Khamenei como resultado de ataques israelenses e dos EUA.
Diante da agressão, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) iraniano anunciou o início da “ofensiva mais feroz” na história do Irã contra os EUA e Israel. O abalo profundo, causado pela morte do aiatolá Ali Khamenei, promete uma retaliação devastadora pelas Forças Armadas iranianas, segundo análise de especialistas ouvidos pelo diário chinês Global Times. Líderes iranianos confirmaram que o ataque ocorreu enquanto Khamenei trabalhava em seu gabinete, e imagens de satélite já haviam mostrado danos significativos ao complexo, em Teerã.
Especialistas ouvidos pela mídia asiática afirmam que, embora o impacto político e simbólico seja enorme, o regime não deve colapsar, porque possui instituições e mecanismos de sucessão já estruturados. O maior risco, segundo analistas chineses, está na resposta iraniana, que pode desencadear uma escalada difícil de controlar por parte dos EUA, aprofundando a desconfiança global em relação a Washington.
Vingança
Relatos indicam que Khamenei havia se reunido pouco antes dos ataques com altos membros do Conselho Supremo de Segurança Nacional em um local seguro. A confirmação de sua morte veio após declarações do presidente norte-americano Donald Trump e de fontes israelenses, que afirmaram que o corpo do líder foi encontrado após a operação conjunta.
O governo iraniano decretou sete dias de feriado nacional e o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) lamentou a perda do líder, prometendo vingança contra os responsáveis, especialmente contra territórios ocupados por bases norte-americanas, elevando o risco de uma guerra regional ainda mais ampla.
Ainda de acordo com a mídia, analistas afirmam que a morte do líder iraniano representa um golpe severo à estabilidade do país, mas não necessariamente ao funcionamento do Estado, que possui estruturas preparadas para uma transição, destacando que a sucessão deve ser conduzida pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário e por um jurista do Conselho dos Guardiões.
Tensão
Nos EUA, avaliações da CIA indicavam que, mesmo com a morte de Khamenei, o poder poderia ser assumido por figuras linha-dura do IRGC, o que limitaria a capacidade de Washington de influenciar o futuro político iraniano. O governo Trump, apesar de autorizar operações militares, tem evitado o envio de tropas terrestres.
A ofensiva dos EUA e de Israel desencadeou ataques contra bases norte-americanas em países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein, aumentando a tensão regional. Especialistas alertam que, se a retaliação iraniana causar danos significativos, os EUA enfrentarão um teste estratégico complexo.
Trump pode tentar manter uma estratégia de “escalada controlada”, buscando pressionar o Irã sem se envolver em uma guerra prolongada. No entanto, permanece incerto se os EUA conseguirão controlar o ritmo e a intensidade do conflito após a morte do líder supremo iraniano.
Khamenei liderava o Irã desde 1989 e foi responsável por moldar o aparato militar e paramilitar que ampliou a influência do país no Oriente Médio. Sua trajetória inclui uma tentativa de assassinato em 1981 e a presidência durante a guerra Irã-Iraque, período que consolidou sua profunda desconfiança em relação aos EUA e ao Ocidente.