A chamada nova guerra, travada à distância, permitiu que os ucranianos resistissem aos invasores russos, superiores em exército e poder de fogo, analisa a revista.
Por Redação, com RFI – de Kiev
O avanço estratégico ucraniano no conflito com a Rússia, com foco no uso decisivo de drones e tecnologias inovadoras no campo de batalha, é destaque nas revistas semanais francesas. A imprensa também revela os bastidores das sanções europeias contra Moscou, marcadas por um sistema complexo de aplicação.

A revista Le Point enfatiza o desempenho do exército ucraniano que, segundo a publicação, “impressiona o mundo”. Em um conflito que se prolonga no tempo, os ucranianos estão fazendo mais do que simplesmente resistir, afirma a reportagem: a arma secreta de Kiev são drones e robôs ultramodernos, que fazem toda a diferença no campo de batalha.
A chamada nova guerra, travada à distância, permitiu que os ucranianos resistissem aos invasores russos, superiores em exército e poder de fogo, analisa a revista. Em abril, pela primeira vez desde a contraofensiva ucraniana de 2023, a Rússia perdeu mais território do que ganhou na Ucrânia, segundo dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
Ao mesmo tempo, de acordo com um comunicado da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, abril também registrou o maior número de mortes de civis desde maio de 2024: ao menos 209 pessoas morreram e 1.146 ficaram feridas. Os ataques russos têm se intensificado por via aérea, enquanto os avanços são mais limitados por terra.
A revista destaca ainda o uso do P1-Sun, considerado o melhor interceptador de drones da Ucrânia. Essa tecnologia, desenvolvida pela start-up ucraniana SkyFall, permite que Kiev neutralize os drones Shahed utilizados por Moscou.
Sanções
A semanal L’Express, por sua vez, revela os bastidores da aplicação de sanções impostas pela Europa contra a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. As medidas de retaliação atingem cerca de 2,6 mil indivíduos e entidades considerados próximos ao Kremlin, e têm em primeira linha oligarcas e seus familiares.
A elaboração da lista de sancionados segue um mecanismo complexo e opaco, segundo a revista. Todos os bens dessas pessoas e empresas em solo europeu são congelados. Eles não podem mais usufruir de suas propriedades, iates, nem movimentar ou sacar recursos de suas contas bancárias na Europa.
As sanções, de caráter praticamente permanente, também incluem a proibição de viagens dentro da União Europeia. Um grupo de advogados instalados em Paris e Bruxelas tem tentado contestá-las nos tribunais, apontando lacunas e ambiguidades no sistema europeu. Pouco menos de 100 recursos foram apresentados até agora, com sucesso relativo.
Segundo a revista, o processo é difícil não apenas porque as decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) se aplicam apenas ao pacote de sanções contestado – e a lista negra é renovada a cada seis meses -, mas também porque os critérios adotados são variáveis e devido à falta de transparência no processo de seleção dos alvos das sanções.
Entretanto, graças a esses vácuos, Vladimir Lissin, o homem mais rico da Rússia e fornecedor de aço para a fabricação de armas no país, até hoje conseguiu escapar da lista, destaca L’Express.