Rio de Janeiro, 12 de Julho de 2026

Suposto espião ligado à Rússia atuava no Vaticano

As autoridades italianas, no entanto, ressaltam que a veracidade dessas declarações ainda está sendo apurada.

Domingo, 12 de Julho de 2026 às 12:05, por: CdB

As autoridades italianas, no entanto, ressaltam que a veracidade dessas declarações ainda está sendo apurada.

Por Redação, com ANSA – da Cidade do Vaticano

Uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Roma sobre uma suposta rede de espionagem ligada à Rússia revelou a existência de um possível informante infiltrado no Vaticano, suspeito de fornecer informações confidenciais a contatos russos.

Espiões teriam pedido prontuário médico de papa Francisco

As informações vieram à tona por meio de escutas telefônicas e foram divulgadas neste domingo pelo jornal Il Messaggero.

Os principais investigados são os ex-agentes de inteligência italianos Raoul Gavino Piras, de 59 anos, e Vincenzo Di Pasquale, da mesma idade, que cumprem prisão domiciliar.

De acordo com o inquérito, conversas interceptadas mostram Piras destacando o suposto valor das informações obtidas e reclamando da baixa remuneração recebida por suas atividades.

Em um dos diálogos, citado pela investigação, o ex-agente italiano afirma ter estabelecido contatos dentro da Secretaria de Estado do Vaticano e menciona pagamentos que teriam sido realizados sob a forma de contribuições ao Óbolo de São Pedro durante o pontificado do falecido papa Francisco.

Segundo ele, essas iniciativas lhe permitiram acessar informações consideradas de interesse.

As autoridades italianas, no entanto, ressaltam que a veracidade dessas declarações ainda está sendo apurada, porque, nesta fase da investigação, os relatos podem representar apenas exageros ou tentativas de autopromoção por parte do suspeito.

Apesar disso, os documentos indicam o interesse demonstrado por agentes estrangeiros em obter supostos segredos relacionados ao Vaticano.

As escutas também registram um relato feito por Piras a Di Pasquale sobre um episódio que ele classificou como um “precedente histórico”.

Conforme sua versão, um ex-dirigente do antigo Serviço de Informações e Segurança Democrática (SISDE) e outros ex-integrantes dos serviços de segurança teriam participado de uma operação em que pessoas ligadas à China tentaram obter o prontuário médico do Pontífice argentino durante uma internação hospitalar.

Ainda segundo o relato, a negociação teria sido intermediada por terceiros e rendido cerca de 250 mil euros. Até o momento, porém, os investigadores afirmam não haver elementos que comprovem esse suposto episódio.

A investigação segue em andamento para esclarecer a existência da suposta rede de espionagem e verificar a autenticidade das informações mencionadas nas conversas interceptadas.

Espionagem

Piras e Di Pasquale foram presos em Roma no último dia 7 de julho sob acusação de espionagem à Rússia e acesso não autorizado a sistemas de informática. Eles são suspeitos de realizar atividades de espionagem em troca de dinheiro para um suposto agente de inteligência russo que goza de imunidade diplomática na Itália.

As investigações, iniciadas há um ano sob indicação da agência de inteligência, revelam que os segredos de Estado eram compartilhados em bilhetes trocados durante encontros em parques ou bares.

Piras fornecia a agentes russos, que se passavam por diplomatas, informações de inteligência e detalhes sobre armamentos de fabricação italiana, em troca de envelopes contendo 4 mil euros (R$ 23,6 mil) em espécie: esse era o preço combinado por cada informação de altíssimo sigilo, obtida por meio de infiltrados no setor de defesa cibernética das Forças Armadas.

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